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Quando a dor se torna suportável Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quinta, 12 de Maio de 2011 - 23:45

nicole-rabbitO título brasileiro "Reencontrando a Felicidade" para o original "Rabbit Hole" é, no mínimo, inapropriado – para não dizer absurdo. Ora, ele dá uma sensação de que estamos prestes a acompanhar uma comédia romântica ou um enredo cheio de mensagens positivas. Propaganda enganosa de um filme que narra a história de um casal que perdeu o filho num acidente de carro e está tentando recuperar algum tipo de paz na vida.

Dizer que eles querem reencontrar a felicidade é uma heresia já que, como diz a personagem de Dianne Wiest, a dor da perda de um filho nunca desaparece mas, em certo ponto, torna-se suportável. "Reencontrando a Felicidade", na verdade, trilha um caminho diferente de outros longas intensos sobre essa temática, como o italiano "O Quarto do Filho" ou "Entre Quatro Paredes". Enquanto a maioria dos filmes decide narrar o momento da perda, "Reencontrando a Felicidade" quer mostrar como é complicado reconstruir uma vida despedaçada meses após esse fato.

Dirigido por John Cameron Mitchell (o sujeito responsável pelos alternativos "Hedwig – Rock, Amor e Traição" e "Shortbus"), o filme, talvez, seja afetado demais pela normalidade. Especialista em tratamentos diferenciados na narrativa, Mitchell aposta em um formato linear e sem ousadias para construir a dramaticidade de "Reencontrando a Felicidade". Claro que isso dá a sensação de sutileza, uma vez que quase não existem choradeiras ou maiores apelações, mas tudo fica samba de uma nota só.

Deixando a sensação de ser um filme de TV (em especial aqueles que não são mais complexos apenas para atingir também o grande público), "Reencontrando a Felicidade" teve destaque por trazer Nicole Kidman de volta ao circuito das premiações e também às boas escolhas. Criticada por suas apostas erradas no cinema (e sim, elas eram erradas!) e por ter quase destruído sua beleza ímpar com aplicações de botox, Kidman comprova que ainda tem potencial e talento. Ela não está em sua melhor forma, mas, pelo menos, "Reencontrando a Felicidade" é um indício que a atriz tem sim condições promissoras de se reerguer e voltar a estrela que um dia foi.

Assim, "Reencontrando a Felicidade" mostra que, apesar de alguns problemas narrativos (como já citado, a forma extremamente normal de contar a história me incomodou bastante) tem alguns méritos que não podem ser negados. É verdade, falta uma "pegada" mais forte do diretor, em especial ao desenvolver algumas subtramas que não possuem impacto. No entanto, "Reencontrando a Felicidade" acerta ao narrar, sem ser pretensioso, a hora em que a dor precisa ser esquecida. Esquecida, mas nunca ignorada.

 


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