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Quando Hollywood limita o trabalho autoral Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quarta, 05 de Outubro de 2011 - 13:47

source-codeEm 2009, o diretor Duncan Jones realizou um pequeno grande filme chamado Lunar. No seu primeiro longa, o britânico conseguiu fazer uma notável mistura de drama e ficção, inclusive homenageando (mas sem nunca copiar) o clássico 2001 - Uma Odisseia no Espaço. Lunar não fez muito sucesso (chegou diretamente em DVD aqui no Brasil), mas serviu para trazer um maravilhoso desempenho de Sam Rockwell e revelar o promissor Duncan Jones. Agora, com Contra o Tempo, o diretor está inserido no mundo Hollywoodiano e ainda preserva algumas das carcaterísticas que apresentou em seu debut. No entano, é afetado justamente por ter que atender várias exigências comerciais para abranger mais espectadores.

Não, Duncan Jones não chega a se vender. Contra o Tempo ainda preserva a necessidade do diretor de contar histórias sobre sujeitos presos em lugares solitários e que querem, a todo cuso, voltar ao mundo real. A primeira hora do filme estrelado por Jake Gyllenhaal desenvolve muito bem essa proposta, apresentando de forma eficiente a quase desesperadora situação do personagem que precisa viajar no tempo contra a sua vontade e sem saber exatamente o porquê. Ele não sabe onde está nem porque precisa desempenhar uma missão que visa evitar um ataque terrorista. Assim, utilizando uma narrativa que vai e volta no tempo repetindo fatos, Contra o Tempo mostra-se bem executado ao transitar na linha do tempo - até porque Jones nunca aposta só no suspense ou só nas descobertas do personagem. É um balanço entre esses dois aspectos.

O problema vem depois - e nada relacionado ao acomodado e previsível desempenho de Jake Gyllenhaal. Resolvendo a trama principal cedo demais (e sem grandes surpresas), Contra o Tempo instala outra abordagem e, infelizmente, cai num quase imcompreensível tom açucarado. É o velho e batido heroísmo norte-americano: o personagem descobre algumas verdades sobre sua situação, resolve colocar o amor em prática e toma atitudes muito idealizadas. Tudo isso com uma trilha que enfatiza a "beleza" desses atos e com uma estética que faz questão de romantizar ainda mais a situação. Ainda temos a personagem que fica contra o sistema e resolve colocar em risco seu emprego só para fazer a felicidade do próximo. Quanta ladainha!

Por sorte, Duncan Jones até que consegue disfarçar essas atitudes desnecessárias para o espectador menos exigente, que pode nem se incomodar com essa meia hora final que destoa do resto do filme... Só que existem os que percebem e esses podem achar que Contra o Tempo só decai a cada decisão romantizada do roteiro. O filme, que se sustentava tão bem até certo ponto, não precisava acabar de maneira tão hollywoodianda. E se, anteriormente, apontei que Duncan Jones não chega a se vender com o filme, o final mostra que ele não chegou a esse ponto por um triz. Ainda bem que não foi adiante, já que, se Contra o Tempo tivesse maior tempo de duração, talvez, pudesse alcançar o nível do insatisfatório se continuasse desenvolvendo por mais tempo essas escolhas comerciais.

 


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