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Almodóvar em grande estilo Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Segunda, 07 de Novembro de 2011 - 21:50

pielquehabitoPedro Almodóvar é um diretor que move infinitos fãs. Às vésperas da estreia de um novo filme seu, é possível ver, em todos os cantos, alguém dizendo que está louco para assistir ao "novo do Almodóvar". Não é para menos, Almodóvar justifica o porquê de tanta apreciação. Ao longo de toda a sua carreira, construiu um estilo inconfundível, narrativa singular e histórias marcantes.

Nessa altura do campeonato, o espanhol poderia muito bem ter uma carreira acomodada (e o decepcionante Abraços Partidos indicava isso), mas A Pele Que Habito vem para provar que, além de dominar a arte de dirigir, Almodóvar vai além: é um mestre que faz questão de se reinventar. No seu mais novo filme, ele quebra barreiras, arrisca no bizarro e flerta com insanidades, mas sempre mantendo sua ligação com os elementos que formaram sua reputação. E o resultado não é menos que excepcional.

A Pele Que Habito, que, desde o princípio, foi vendido como um filme de terror, está mais para uma história perturbadora em sua abordagem psicológica. Os experimentos do médico Roberto Ledgard (Antonio Banderas) podem até ser tratados com um quê de suspense (muito em função da maravilhosa trilha de Alberto Iglesias, colaborador incondicional do diretor), mas o que interessa é o que motivou suas aventuras em salas de cirurgia e as consequências disso tudo. Dessa maneira, A Pele Que Habito se torna envolvente não só na sua estética ou na forma contundente como o diretor envolve o espectador nas incógnitas da história, mas também no próprio desenvolvimento dos personagens: todos magnéticos e com momentos de destaque. É um filme que só poderia ser estruturado com precisão por Almodóvar, que nunca erra no tom desse seu mais recente trabalho.

Por um outro lado, isso não quer dizer que A Pele Que Habito agrada a todos. Bem pelo contrário. A exemplo de Má Educação, é um filme ame ou odeie. Não há espaço para indiferença aqui. As revelações da trama são diferenciadas – para não dizer quase estranhas. É preciso entrar no clima, caso contrário a experiência pode ser um tanto exagerada e absurda. Contudo, para quem se envolve, A Pele Que Habito não poderia ser mais interessante: envolvente, com um excelente ritmo e, acima de tudo, completo. Por mais que a história pudesse ter maiores detalhes (os acontecimentos são intensos e complexos mas parecem não afetar tanto os personagens, que tratam tudo de forma racional),A Pele Que Habito funciona 100% do jeito que foi finalizado. Entramos na história, mesmo com pequenos detalhes não tão explorados.

Antonio Banderas, após anos sem fazer nada de relevante (dava dicas de que ficaria a vida inteira fazendo apenas a duplagem do Gato de Botas, em Shrek), consegue encontrar o tom certo para um personagem que poderia facilmente cair na caricatura. Sua companheira de cena, Elena Anaya, também cumpre a sua missão: e o maior destaque da atriz não é apenas a sua beleza, mas a forma como ela se comunica com seus expressivos olhos. Ainda no elenco, Marisa Paredes, uma ótima codjuvante para essa excelente história. Todos os atores transitam muito bem por seus personagens, que são bem utilizados pelo roteiro e conseguem, cada um a sua maneira, conquistar o espectador – mesmo aqueles que não possuem tantos motivos para adquirir a nossa compaixão (a exemplo da figura que é injustamente redimida no final mas que é tão pecadora quanto as outras).

Com todos esses aspectos positivos, é difícil não concordar que o maior deles é a direção de Almodóvar. Ousado e original, ele mostra uma notável habilidade em usar elementos novos sem nunca abandonar seus traços característicos. É uma direção muito segura e maravilhosa por contar uma história sem ter a necessidade de ter que justificar tudo ou de muito menos ter que agradar a todos. A Pele Que Habito, apesar da forma diferenciada, traz a essência de Almodóvar em cada momento. E é exatamente por isso que esse filme se firma como um dos grandes momentos da carreira do espanhol: temos aqui não apenas mais um bom trabalho característico do diretor, mas também um momento em que ele se deu ao direito de criar mais e de provar, como já fez várias vezes, que o cinema, quando explorado com diferentes olhares, pode ser ainda mais apaixonante.

 


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