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As dimensões de um clássico Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Terça, 17 de Abril de 2012 - 11:07

titanicExatamente há 100 anos, acontecia um dos grandes naufrágios da história: o do Titanic nas águas do oceano Atlântico, que causou total de 1.523 mortes. O trágico evento deu origem ao filme mais conhecido de nossa geração.

Sim, apesar de Avatar ser a maior bilheteria da história (o que não quer dizer nada, já que, possivelmente, metade do lucro foi em função do alto preço dos ingressos 3D), o filme que todo mundo conhece é Titanic. Pergunte por aí: deve ser quase impossível conhecer alguém que não tenha assistido ao célebre longa-metragem de James Cameron. Agora, nessa época simbólica dos 100 anos do naufrágio, Titanic está novamente em cartaz. O que a princípio parece ser uma mera exploração financeira, revela-se um verdadeiro presente: a conversão para 3D é satisfatória e a sensação de rever esse grande clássico do cinema em tela grande é única.

Sim, o filme é exatamente o mesmo: nem um minuto a mais, nem uma vírgula a menos. Ou seja, uma produção impecável. O que mais impressiona nesse relançamento é o fato de Titanic permanecer majestoso mesmo com a constante evolução da tecnologia desde a sua primeira exibição. É um trabalho que não envelhece, já que, se dissessem que ele foi produzido nos dias de hoje, tal afirmação não seria nada absurda. Até porque Titanic vem de uma época onde a virtualidade excessiva na construção visual de um filme não era lei. Assim, lá vamos nós, de novo, entrar de corpo e alma no emblemático romance de Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), uma mimada garota que está noiva de um milionário para salvar a família da falência, e Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um jovem artista que vive de cidade em cidade, sem qualquer renda.

Quase 15 anos depois de seu lançamento, o filme de James Cameron continua sendo uma verdadeira viagem cheia de emoções. Aqueles erros básicos continuam ali, a exemplo das abordagens extremas de personagens (ricos = maquiavélicos, pobres = pessoas de boa índole) e da péssima atuação de Billy Zane. Só que Titanic é tão impecável em todos os outros aspectos que fica difícil reclamar. É a união de uma boa história com um grande espetáculo visual (e o 3D só faz com que tudo fique ainda mais impactante) em um longa-metragem que marcou época. Assim, se por si só Titanic já é impressionante, o que falar, então, da oportunidade de revê-lo em tela grande (formato que ele merece), onde concluímos que ele sobreviveu de forma impecável durante mais de uma década? Titanic, afinal, também mexe com a nossa memória afetiva, o que é outro ponto muito positivo.

Mesmo que o público saiba exatamente o que acontece na trama, Titanic continua nos envolvendo naquela tragédia estranhamente fascinante e, principalmente, levando o espectador do choro ao riso e da tensão ao romance com uma facilidade assustadora. Merecidamente vencedor de 11 Oscars, essa extraordinária produção deveria, inclusive, ser recordista absoluta com 12 prêmios: aa verdadeira merecedora do Oscar de melhor atriz, naquele ano, era Kate Winslet. Sucesso estrondoso da década de 1990, Titanic foi exibido na TV à exaustão, bem como a música de Céline Dion foi reproduzida incansavelmente nas rádios. Isso causa repulsa em muita gente. Mas, sem ofensas, é extremamente limitado definir uma obra por aquilo que a mídia faz dela. Titanic é mais do que suas incansáveis exibições. TV nenhuma consegue estragar o verdadeiro prazer que é assistir a um filme como esse. E James Cameron tem todo o meu agradecimento por ter me dado a chance de ver Titanic no cinema pela primeira vez. Nunca vou esquecer.

 


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