Porto de todos nós Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Domingo, 08 de Março de 2015 - 21:01

dsc07985A visão turística é louvável, mas Porto Alegre é, acima de tudo, uma metrópole de pessoas. Da mais jovem criança que desperta por um choro insaciável, ao ancião mais experiente e vivido, indivíduos confluem em construir essa grande cidade. Hoje, 242 anos depois da pedra fundamental, é a hora de lembrar os motivos de tamanha história gloriosa, que presenciou batalhas, recebeu presidentes e se assentou como uma das grandes metrópoles brasileiras.

Talvez Porto Alegre não tenha mais o charme de outras épocas, nas quais poetas e escritores utilizaram a capital como seu templo de criatividade. Mas ela continua, evoluiu conforme a inexorável passagem do tempo. As casas, antes amplas e familiares, deram lugar a apartamentos compactos. Os carros, e sua fumaça constante, trataram de desafiar o meio ambiente. Ainda assim, a cidade é uma prenda que merece ser cortejada por todo o gaúcho que se preze.

Uma capital de todos os credos, resultante da miscigenação cultural. A cidade é, sim, cosmopolita, pois consegue abrigar sob seu manto as mais diferentes personalidades e nacionalidades. Dos Açores, casais vieram nos povoar. Das ruas, as árvores vêm nos arborizar. Seu clima subtropical úmido é inconstante, mas agradável. A chuva e o sol disputam ferrenhamente o espaço entre as nuvens, jogando o desfecho da batalha sobre os cidadãos. Aqui é assim: ame Porto Alegre ou ame Porto Alegre. Não existe alternativa.

O folclore popular é ditado pelo aconchego. “Porto Alegre é que tem um jeito legal”. Quem se privou de conhecer a capital dos gaúchos, não sabe o que é respeito à cultura. O povo é “chato”, bonachão, e não se vende para qualquer procedência – ou improcedência. Há, problemas, é verdade, mas qual cidade não tem? Porto Alegre está isenta de culpa por alguns indivíduos que transformam celebração em algazarra, e ela não pode lutar contra a condição humana.

Aliás, quão poucas são as metrópoles que possuem o privilégio de ver o Sol dormir ao horizonte, refletindo sua imponência nas águas agitadas de um belíssimo lago? Nasce no leste e funde-se com o Guaíba no oeste, ofertando um espetáculo à parte a todos que apreciam a simplicidade da natureza. Ainda, tomar um chimarrão sentindo os ventos de outono na Redenção. Nestes 242 anos, é a paixão pela cidade que faz aniversário.

O princípio de tudo – épocas conturbadas – ficou para trás. Hoje respiramos as ruas, que convergem o ar nostálgico em direção ao futuro. Tudo em Porto Alegre presenciou os mais sublimes amores. O Beira-Rio ruge. A Arena paira sobre a imortalidade. Golpes do destino dividem a paixão inabalável. Uma guerra sem fim em dois palcos de glória e conquistas. Em seu sítio, o Laçador vigia, pronto para descer da base, sempre que o dever o chamar; inspirado, pilchado e gaúcho.

Neste aniversário, o povo sabe reconhecer o valor da cidade. Dos pontos mais remotos, Porto Alegre é tudo e mais um pouco. É a capital do continente farroupilha. “É lá que eu vivo em paz”. Parabéns pelo aniversário, querida casa!

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