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Os Famosos e os Duendes da Morte Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quarta, 28 de Julho de 2010 - 18:10

duendesDepois de ficar em cartaz com circuito limitado em Porto Alegre e de ter saído da capital, "Os Famosos e os Duendes da Morte" volta a fazer parte da programação portoalegrense com sessões limitadas. O filme está na programação do Santander Cultural, com apresentações nos dias 27 e 28 às 17 horas, 30 e 31 às 19h e, também, no dia primeiro de agosto, às 15 horas. É mais uma oportunidade para conhecer esse filme nacional que é uma das produções mais diferentes realizadas em território nacional nos últimos anos.

Em uma de suas divagações pela internet (que consistem na ação de escrever em um blog de autoria própria ou de conversar com amigos virtualmente), o protagonista de "Os Famosos e os Duendes da Morte" proclama: “Longe é o lugar onde a gente pode viver de verdade (…) Estar perto não é físico”. O menino não gosta do lugar onde vive. Ele não se sente próximo do mundo que lhe foi imposto pela vida e muito menos das pessoas que nele habitam. O “Mr. Tambourine Man” vive um mundo paralelo, onde enxerga esperança e alternativas na vida virtual.

Acompanhar cada ação do protagonista é mergulhar num mar de angústias. Poucas foram as vezes (e, para falar bem a verdade, não me ocorre nenhum exemplo agora) em que o cinema conseguiu retratar tão bem o universo dos adolescentes reclusos e impossibilitados de viver a juventude da forma que tanto anseiam. "Os Famosos e os Duendes da Morte" vai entrar na pele daqueles que moram em um lugar isolado. Muito mais, vai atingir de forma contundente aqueles que sentem  não pertencer ao mundo à sua volta, que enxergam a felicidade como algo quase inalcançável e que acham que tudo poderia mudar se estivesse em um lugar diferente ou com “aquela” pessoa ao lado.

Falar que a maturidade de Esmir Filho como diretor impressiona é cair no lugar comum. O relevante é que "Os Famosos e os Duendes da Morte" marca o espectador pelo conjunto geral. Não é só o trabalho atrás das câmeras que traz a singularidade estética e narrativa do filme. Logo, já podemos citar o trabalho exemplar de Henrique Larré como o protagonista. Larré não apenas captou toda a essência dramática do personagem, como também a transmitiu com muita segurança. Podemos notar, em cada olhar e gesto, uma figura verdadeira. Todos os coadjuvantes possuem seus momentos. Mas, ao meu ver, a estrela é Larré – cuja cena que mais me marcou foi aquela em que ele dança e desaba de tristeza nos braços da mãe em uma noite de festa junina.

Algo muito importante a ser considerado é a forma como o filme não se restringiu aos moradores do Rio Grande do Sul, onde o longa foi filmado. Seria muito fácil se identificar com os traços riograndenses da projeção. Entretanto, "Os Famosos e os Duendes da Morte" se livra desse empecilho e realiza uma história não menos que universal. O roteiro narra cada minuto como se fosse algo que pudesse acontecer em qualquer lugar do planeta com qualquer pessoa. A solidão existe, não importa em que lugar. O filme, em um balanço geral, é um estudo minucioso sobre as angústias de uma minoria que cada vez perde mais espaço: os adolescentes isolados. Isolados não por vontade própria, mas porque a vida deu esse fardo.

Apesar de tantos méritos, pensei que "Os Famosos e os Duendes da Morte" fosse me atingir não só com sua temática irresistível (que é perfeita para o meu gosto pessoal), mas, também, como cinema. Não foi exatamente o que aconteceu. O formato, por algumas vezes, não me causou o efeito necessário. O filme perde impacto e força justamente nas cenas em que se propõe a ser figurativo. De certa forma, elas quebram o ritmo da história. Não digo que faltou cinema em "Os Famosos e os Duendes da Morte", muito pelo contrário! Mas, não foi apresentado o tipo de tratamento narrativo que normalmente me conquista. Se tivesse apostado menos naquelas tomadas filmadas com câmera na mão e em algumas complexidades, talvez, tivesse me conquistado por completo. Só faltou isso para eu admirar não somente a perfeita reflexão do conteúdo do filme, mas também a estrutura e o formato.

 
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