61 anos de Meryl Streep Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Sábado, 07 de Agosto de 2010 - 12:59

Meryl-StreepO que define uma atriz perfeita? Não existe uma definição, é uma questão de gosto pessoal. Mas, na realidade, uma atriz impecável não é aquela que, na sua opinião, dá um show de atuação. Claro que é fundamental ter esse talento. No entanto, existem outros fatores a serem considerados. Uma intérprete, no mundo do cinema, precisa ter talento, saber escolher os filmes que participa e também saber dosar muito bem os gêneros em que trabalha.

Se Bette Davis possui uma habilidade arrebatadora e Katherine Hepburn é considerada uma lenda do mundo da sétima arte, Meryl Streep já pode muito bem ser considerada uma das grandes atrizes da história do cinema. A norte-americana completou 61 anos no último mês de junho e, em mais de 35 anos de carreira, se tornou a recordista de indicações ao Oscar (são, ao total, 16) e já acumula mais de 84 prêmios entre grandes festivais e associações de críticos.

Nascida Mary Louise Streep, casada desde 1978 e mãe de quatro filhos, ela é celebrada em todos os lugares. Eleita pela revista Empire da Inglaterra como a vigésima quarta celebridade mais importante da história do cinema, Meryl estudou dramaturgia na universidade de Yale e teve seu primeiro papel em um filme com "Julia", de 1977. Dois anos depois, já venceu seu primeiro Oscar, como a mãe que abandona a casa mas retorna meses depois para lutar pela guarda de seu filho em "Kramer vs. Kramer".

Três anos mais tarde, já em 1982, Meryl apresenta um dos desempenhos mais desafiadores de toda a sua carreira. Em "A Escolha de Sofia", acompanhamos a vida de uma jovem mulher que esconde um terrível sofrimento: no passado, teve que escolher entre um dos filhos em um campo de concentração. A atriz entrou de cabeça no papel e aprendeu a falar alemão e polonês com o intuito de reproduzir fielmente o sotaque necessário.

No entanto, os desafios linguísticos e físicos não foram os maiores. Quando estava fazendo a fatídica cena em que tinha que escolher entre um de seus filhos, Meryl anunciou que não teria condições emocionais de refazer a cena. Para ela, aquela tomada era dolorosa demais e ela não queria entrar novamente naquela situação tão inexplicável para uma mãe. Anos depois, a apresentadora Oprah Winfrey mostra a cena para Meryl em uma entrevista. A atriz se declara abalada e diz que nunca tinha assistido, por opção própria, aquela cena depois de filmada. Tal dedicação com "A Escolha de Sofia" lhe rendeu mais um Oscar.

A partir daí, ela nunca mais ganhou outro prêmio da Academia de cinema. Desde então, até os dias de hoje, foram mais 12 indicações que celebraram papéis extremamente versáteis. Entre os mais marcantes estão: a megera editora-chefe de moda Miranda Priestly em "O Diabo Veste Prada", a dona-de-casa que tem que escolher entre um grande amor e a sua vida comum em "As Pontes de Madison", a injustiçada e sofrida Lindy Chamberlain em "Um Grito no Escuro" e a bem humorada chef de cozinha Julia Child no também biográfico "Julie & Julia".

Além de sua excelência quase que incomparável e de seus recordes em premiações, Meryl Streep também se difere de outras atrizes por diversas razões. Consegue chegar aos 61 anos lançando cerca de, ao menos, um filme por ano e ainda transitando com muita facilidade entre o drama e a comédia. Sem falar, claro, quando não participa de verdadeiros sucessos de bilheteria, como o musical "Mamma Mia!" (recorde de arrecadação na Inglaterra), que faz uma homenagem às músicas do ABBA e ainda traz Meryl cantando, correndo e pulando com um vigor de dar inveja.

Receptiva com os fãs e muito prestigiada pelos próprios colegas de profissão, Streep brinca com sua própria carreira ao dizer que, em certos momentos, se acha superestimada. Bobagem. Ela é a definição do que podemos chamar de atriz perfeita. Uma pessoa que traz sua genialidade não só para o cinema, mas também para fora das telas. Em seus discursos, homenageia colegas de trabalho, crítica o gerenciamento das salas de cinema que só exibem filmes comerciais e ainda se lembra de que, mesmo estando em um palco ganhando o Globo de Ouro por um filme feliz, o mundo está "lá fora" passando por muitas dificuldades sociais.

É impossível achar alguém que, ao ver Meryl Streep completando 61 anos de idade, questione o talento e a singularidade dela. Se os filmes já não são a prova de todos os méritos, então ao menos sua genialidade pode ser percebida em suas aparições sempre bem humoradas e de inteligência refinada. E se isso realmente não é tudo para convencer alguém de que Meryl está muitos níveis acima de tantas outras profissionais, então meu conceito de atriz está muito equivocado... Vida longa à maior atriz do cinema! E o terceiro Oscar há de vir...

 


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