Sonho ou realidade? Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Segunda, 23 de Agosto de 2010 - 12:34

inceptionO britânico Christopher Nolan foi o responsável pelo novo visual conferido aos filmes do herói Batman. Mas, é injusto resumir a carreira do diretor somente a esses trabalhos. Nolan foi responsável por "Amnésia", um dos filmes que mudou a forma do cinema contemporâneo de narrar linearmente as histórias.

Além disso, ele também dirigiu o excelente "O Grande Truque", que era cheio de estilo e já apontava o talento de Nolan para unir entretenimento com conteúdo. Em "A Origem" ele firma definitivamente esse estilo e entrega um dos melhores filmes de 2010.

Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um profissional que tem a habilidade de entrar no sonho das pessoas para roubar informações secretas. Procurado por sua prática ilegal e impossibilitado de voltar para sua cidade de origem e rever os filmes, ele está sempre se mudando. No entanto, ele conhece o oriental Saito (Ken Watanabe), que faz a seguinte proposta: se Dom, ao invés de roubar uma informação, implantar uma idéia na mente de uma pessoa que Saito indicará, Dom poderá ir para casa e rever seus filhos – já que Saito tem o poder de fazer com que Dom passe pela segurança do aeroporto sem ser barrado. O protagonista, então, aceita a proposta.

Existem vários aspectos que marcam em "A Origem". Para começar, podemos falar do visual estonteante. A fotografia nebulosa sempre característica do cinema de Nolan alcança um nível maravilhoso, a trilha do alemão Hans Zimmer tem sonoridades que já podem ser consideradas marcantes e a montagem chega a arrepiar em diversos momentos. Todos esses setores são configurados de forma excepcional pelo diretor (que, de uma vez por todas, mostra que tem pleno domínio da linguagem estética e narrativa).

Nolan, por sinal, não só realizou o seu melhor filme, mas, também, um dos melhores trabalhos de direção dos últimos anos. É fácil de sair impressionado do cinema após "A Origem", já que o longa passa toda uma sensação de grandiosidade, além de impor respeito como um produto de cinema muito bem produzido e executado. No sentido "lógico" e em uma abordagem técnica, o resultado alcança níveis espetaculares.

Mas, existe um grande problema. Não é no filme em si, mas no público. A forma como Nolan conta a história de "A Origem" é muito complexa e o grande público acostumado com entretenimento linear poderá, possivelmente, sair do cinema reclamando do filme. Dá para entender quem faz isso. Para entrar no clima do enredo, é necessária extrema atenção a cada detalhe que é apresentado em cena. Concentração é a palavra-chave para a aceitação de "A Origem".

Para quem procura cinema fácil e diversão sem compromisso, a melhor opção é ficar bem longe desse filme. No entanto, quem quiser um entretenimento mais elaborado e cheio de aspectos diferentes, "A Origem" é uma ótima pedida. Mas, não se engane: o longa não é filosófico ou cheio de mensagens como dizem por aí. O conteúdo é simples, o formato é que torna tudo mais complexo. Ainda sim, um filme a ser revisto várias vezes para ser melhor compreendido... Afinal, levando em conta a última cena, "A Origem" é sobre as nossas vidas nos sonhos ou na realidade?

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA