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O Despertar da Primavera Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Sexta, 08 de Outubro de 2010 - 15:15

despertarBaseado na obra de Frank Wedekind, o espetáculo O Despertar da Primavera esteve nesse fim de semana em cartaz no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Ao contrário da montagem paulista – que se utiliza da linguagem musical para contar a história – a encenação gaúcha, dirigida por Zé Adão Barbosa e protagonizada por atores da recém formada Casa de Teatro de Porto Alegre, aposta no puro e simples teatro, onde os diálogos e as interpretações são as principais formas de interação com o público.

Não é possível dizer se o formato musical fez falta. Igualmente difícil é dizer se todo o público jovem vai conseguir entrar em uma história que possui um texto essencialmente reflexivo e de estrutura clássica. Mesmo que fale sobre o público adolescente, O Despertar da Primavera fala de uma época jovem que já não existe mais, o que pode causar certo afastamento. Ou seja, diálogos sobre como os bebês chegam ao mundo, a preocupação excessiva com as notas da escola e a descoberta da atração pelo sexo oposto em uma época rigorosa.

De forma alguma isso tira do espetáculo a sua validade artística. Muito pelo contrário. A montagem de Zé Adão Barbosa acerta em cheio naqueles que ainda procuram o jeito clássico de se fazer teatro. São inúmeras as passagens que nos lembram aquelas proclamações em voz alta ou aqueles monólogos que tanto fizeram o teatro se tornar reconhecido mundialmente.

Com cerca de duas horas de duração, O Despertar da Primavera usa músicas do Radiohead como trilha sonora e aposta em um elenco que se sai muito bem em cena. Tanto os jovens quanto os adultos alcançam resultados muito satisfatórios e que tornam seus personagens extremamente verossímeis, principalmente quando relacionados à respectiva época em que a história é passada.

O enredo, que versa sobre homossexualidade, masturbação, suicídio e amizade, consegue achar outro ponto positivo em suas sutilezas. Todos os assuntos tratados estão longe de serem grotescos ou apelativos. Muito pelo contrário. Até mesmo a cena de masturbação que é encenada no palco consegue ser natural e sem qualquer tipo de exagero. Portanto, O Despertar da Primavera pode até não ser uma experiência marcante – como para mim não foi – mas só a ideia de reviver um estilo de teatro para adolescentes que hoje quase não existe mais, já merece elogios.

 


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