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Eu não quero voltar sozinho Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quinta, 02 de Dezembro de 2010 - 10:48

sozinhoTodos os dias, depois da aula, Giovana (Tess Amorim) leva Leonardo (Guilherme Lobo) para casa. Ele pega o braço da Giovana e juntos caminham duas quadras para que Leonardo possa chegar com segurança até a porta da sua casa. Leonardo é cego e esse ritual já faz parte do cotidiano dos dois amigos. Ela nutre uma paixão silenciosa por ele. No entanto, Leonardo não demonstra interesse por ninguém e nem percebe os sentimentos de sua amiga. A situação dos dois muda quando Gabriel (Fabio Audi) chega na escola. A dupla, então, se torna um trio. Mais tarde, entretanto, Gabriel será uma paixão de Leonardo.

Essa é a história de Eu Não Quero Voltar Sozinho, o novo curta-metragem do diretor Daniel Ribeiro - que, anteriormente, já havia dirigido um curta com temática gay, Café com Leite. Esse mais novo trabalho de Ribeiro foi destaque na programação da mostra Cinema e Direitos Humanos na América Latina, que teve sessões gratuitas em Porto Alegre, na última semana. A sessão de Eu Não Quero Voltar Sozinho, também apresentou outros três curtas, todos com audiodescrição para cegos. O curta de Daniel Ribeiro, no entanto, era o mais aguardado e conceituado entre todos, já que recebeu o troféu Coelho de Prata, concedido ao curta de maior destaque com a temática da diversidade sexual no 21º Festival Internacional de Curtas de São Paulo. No festival de Paulínia, venceu em quatro categorias, incluindo melhor curta pelo voto da crítica e pelo júri popular.

Com toda a certeza, Eu Não Quero Voltar Sozinho é uma das histórias mais bonitas que já vi envolvendo a temática gay. Tudo bem que é uma rápida história curta-metragem, mas a habilidade do diretor Daniel Ribeiro em fazer um enredo com um ciclo perfeito – nada ali está sobrando ou deslocado – chega a impressionar. Contudo, a maior qualidade desse maravilhoso curta é a sutileza. O amor (independente de ser de um garoto por outro garoto) é tratado da forma mais certeira possível: puro sem parecer inocente demais e verdadeiro sem apelar para maiores invenções. Tudo é verossímil, o que deixa a sensação de que aquela história que está se desenvolvendo é universal.

Eu Não Quero Voltar Sozinho poderia ser um relato clichê sobre preconceitos (afinal o menino é gay e cego), mas o trabalho de Daniel Ribeiro se desvencillha dos caminhos óbvios e, ao contrário do recente longa Minhas Mães e Meu Pai, cria algo original e cheio de novidades. Dá gosto de apreciar cada minuto desse curta que transborda sinceridade não só no roteiro, mas nas próprias atuações. Cada ator achou o tom perfeito para os seus personagens e todos são dignos de aplausos. São eles, junto com o adorável desenvolvimento, que tornan Eu Não Quero Violtar Sozinho uma marcante experiência dentro da temática trabalhada.

O que é importante ser ressaltado é a forma como o roteiro se preocupa mais em humanizar a descoberta de uma nova paixão do que falar sobre homossexualidade ou recriminações. E isso se reflete na cena em que o protagonista Leonardo pergunta para Giovana se ela acha que ele é bonito. Depois do surgiumento de Gabriel, aquele menino que antes não se interessava por ninguém, agora passa a se preocupar com a própria beleza só para saber se está agradando o menino por quem está apaixonado. E, mesmo quando o filme fala a palavra "gay", o faz com muita humanidade. Portanto, Eu Não Quero Voltar Sozinho é sobre descobertas. Descobertas na vida, no amor, na homossexualidade, no companheirismo...

Não consigo conter a minha satisfação ao falar desse curta-metragem que merece atravessar os oceanos e ser conhecido por todo o mundo. Longe de ser um trabalho grandioso em aspectos cinematográficos, alcança sua grandeza justamente na forma humana com que narra sua simples história. O único defeito é que a história passa num piscar de olhos, deixando a sensação de que muito ainda havia para ser contado... Sorte que o diretor Daniel Ribeiro já tem planos para transformar a bonita história de Leonardo em um longa-metragem.

 


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