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Globo de Ouro: o óbvio com glamour Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quarta, 19 de Janeiro de 2011 - 15:44

globo-de-ouroComo esperar surpresas e ousadias de um prêmio que indica Alice no País das Maravilhas como melhor filme de comédia e ainda seleciona Johnny Depp por dois papeis que são considerados os momentos mais fracos da carreira do ator? E não venham me dizer que foi falta de opção... Kick-Ass: Quebrando Tudo estava aí e foi solenemente ignorado. Portanto, não foi surpresa alguma acompanhar a festa previsível e sem novidades do Globo de Ouro 2011, que aconteceu no último domingo, onde apenas o óbvio foi apresentado nas premiações das categorias de cinema.

Como todo ano, o Globo de Ouro se firma como apenas um evento de estrelas. É perceptível como os vestidos, as entrevistas e os atores confraternizando são muito mais importantes que os prêmios em si. Ao contrário do Oscar, o GG se importa apenas em aparecer nos jornais e nas revistas – porque, convenhamos, uma premiação que se considera séria não convida Justin Bieber para apresentar qualquer categoria. Ou seja, assistir o Globo de Ouro é sinônimo de imaginar como deve ser prazeroso para os atores sair num domingo à tarde para tomar champagne, conversar com gente famosa e arrasar nos looks para chamar a atenção. Os prêmios são um mero detalhe. Mas isso não é novidade.

Com a vitória de "A Rede Social" no Globo de Ouro, é bem provável que só uma tragédia tire o Oscar das mãos do diretor David Fincher. Aclamado pela crítica e celebrado em premiações, é o filme do momento (até em função do poder de influência do Facebook). Mas será mesmo que os conservadores votantes do Oscar terão mente aberta para eleger um filme tão atual assim e que nem é esse estouro que apontam? Recentemente, foram divulgados os indicados da tradicional academia britânica de cinema, o BAFTA. Nessa lista, "A Rede Social" não ficou entre os mais badalados. Os recordistas de indicações foram "O Discurso do Rei" e "Cisne Negro". Ou seja, por mais que a estrada de "A Rede Social" esteja bem pavimentada para a vitória no Oscar, é sempre bom ficar atento para possíveis surpresas...

Algumas considerações sobre a cerimônia:

- Errar é humano. Insistir no erro é burrice. Ricky Gervais foi um insosso apresentador no ano passado e na cerimônia desse ano mostrou, novamente, que não foi a melhor das escolhas. Quando não passa despercebido (as milhares de categorias impedem que um apresentador do Globo de Ouro tenha muito espaço), apostava em piadas perigosas, brincando com a reputação de alguns presentes na festa.

- De todos os prêmios, o que mais me deixou contente foi o de Melissa Leo como coadjuvante por "O Vencedor". Ela já arrebentava desde Rio Congelado (e, inclusive, merecia ter vencido o Oscar por seu desempenho), mas o fato é que dessa vez a atriz tem tudo para faturar o prêmio da Academia. Sua colega de elenco, Amy Adams, já não parece mais ser forte concorrente (Leo também venceu o Critics' Choice).

- Ainda é cedo para dizer, mas, ao que tudo indica, A Rede Social será o grande vencedor do próximo Oscar. Ano passado, essa sensação estava com Avatar (Guerra ao Terror só foi aparecer semanas depois desbancando todos os candidatos, incluindo o filme de James Cameron), mas duvido muito que o longa de Fincher perca o favoritismo. Venceu nas categorias de filme, diretor, roteiro e trilha. Uma pena, já que nem de longe merece essa badalação toda.

- Não é de se surpreender que A Origem esteja saindo de mãos vazias. É aquele típico caso de filme que não chegou aos cinemas na temporada de premiações. O longa de Nolan foi para os cinemas cedo demais. Pode ter certeza que se tivesse sua estreia no final do ano, estaria ganhando tudo. Mas ao menos era de se esperar que tivesse levado o de trilha para não sair de mãos abanando...

- Annette Bening e Natalie Portman. Será interessante acompanhar essa disputa. Óbvio que Bening vencerá o SAG, mas ainda assim não consigo ver a atriz como a favorita ao prêmio da Academia. Portman é desfavorecida pelo filme (cult demais, enquanto Minhas Mães e Meu Pai é o queridinho indie do ano), mas tem um papel que exige mais emocionalmente e fisicamente.

 


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