O vencedor é o elenco Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Sexta, 04 de Fevereiro de 2011 - 15:49

thefighter_25Os principais filmes concorrentes do Oscar já começam a entrar em cartaz a partir dessa semana nos cinemas. "A Origem" e "A Rede Social" já podem ser conferidos há muito tempo, mas a principal safra de longas "oscarizáveis" começa a surgir agora. Uma das estreias dessa semana é "O Vencedor", do diretor David O. Russell, indicado em sete categorias no prêmio da Academia. O filme pode até não ter chances de ser eleito o melhor do ano, mas já é quase certo que os coadjuvantes Christian Bale e Melissa Leo serão os vencedores em suas respectivas categorias.

Micky (Mark Wahlberg) é o filho preterido. Ele é lutador de boxe, mas vive à sombra do inesquecível sucesso que seu irmão, Dicky (Christian Bale), um dia teve no mesmo esporte. Só que hoje Dicky é viciado em drogas, além de ser um irresponsável que só traz problemas para a família. Ainda assim, é o queridinho da matriarca Alice (Melissa Leo), que tem a tendência de acobertar e perdoar todos os erros do filho. A situação financeira da família não é das melhores e Micky resolve investir em novas lutas para ganhar dinheiro. Nesse meio tempo, conhece Charlene (Amy Adams), uma garota que vai incentivá-lo nessa jornada. Micky, no entanto, vê que sua carreira profissional não consegue ir adiante, uma vez que sua família só lhe traz problemas.

Sinceramente, não pensei que O Vencedor fosse um filme tão novelesco. Como dá para perceber pelo enredo narrado acima, o longa de David O. Russell não prima pela originalidade. Pelo contrário. Não sei se foi intencional (e, se foi, o diretor não deixa isso claro), mas toda a estrutura - tanto da narrativa quanto da técnica - é quase que ultrapassada. Sem aspectos técnicos interessantes, O Vencedor é todo calcado nas interpretações dos atores e no roteiro originalmente escrito pelo trio Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson. Nada, além disso. É, também, um filme de boxe que está longe de explorar com habilidade a montagem, a fotografia e a direção nas cenas de luta. Portanto, tudo é simples demais, longe de tantos outros filmes que já encenaram esse esporte com maestria.

Como já dito, a história é novelesca, quando não estereotipada - principalmente no que se refere aos personagens quase que caricatos, como a mãe interesseira e cafona vivida por Melissa Leo ou o irmão problemático encarnado por Christian Bale. Algumas cenas são extremamente previsíveis, assim como quase todos os acontecimentos. Nada que acompanhamos em O Vencedor é original. Nós já vimos tudo isso em algum outro filme.

Mas o que acontece com esse filme tão simples e óbvio para que ele tenha recebido tanta atenção? Ora, a resposta é muito simples: os atores. Ah, os atores! Se não fosse por eles, O Vencedor não passaria de uma produção com cara de telefilme batido. Os protagonistas, na maioria das histórias clichês, sofrem porque são ofuscados pelos coadjuvantes. Com Mark Wahlberg não é diferente. Christian Bale é o destaque toda vez que entra em cena, Melissa Leo faz uma ótima composição de uma personagem adoravelmente odiável e Amy Adams demonstra cada vez mais ser uma atriz muito eficiente ao unir sua expressão frágil com uma personagem decidida. Wahlberg fica de escanteio, fazendo apenas o que é necessário.

Merecidamente reconhecido pelas premiações, o elenco de O Vencedor impede que o clima novelesco e a técnica decepcionante tomem conta do filme. Eles são a razão para que o longa de David O. Russell seja conferido. As falhas estão ali presentes e, no final, fica aquela sensação de que O Vencedor poderia ter sido muito mais do que realmente é. Mas aí fica a dúvida: a culpa é da história batida ou da direção que não tentou apostar em um diferencial? Difícil saber. A verdade é que os ótimos atores mereciam mais do que esse filme apenas regular. O Vencedor, no final das contas, fica na memória como um produto cinematográfico que tem suas falhas perdoadas pelos excelentes desempenhos. Tire o protagonista e os coadjuvantes e você não terá razão alguma para destacar com entusiasmo qualquer outro aspecto.

 


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