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Cisne Negro: a busca pela perfeição Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quarta, 09 de Fevereiro de 2011 - 05:49

BlackSwanOutro longa-metragem que entrou em cartaz nos cinemas na última sexta-feira e que é um dos grandes concorrentes ao Oscar é "Cisne Negro". Dirigido pelo culturado Darren Aronofsky, o filme chega acumulando muitos elogios e, desde já, é considerado mais um clássico contemporâneo de Aronofsky. Falando sobre o mergulho de uma bailarina (Natalie Portman) na completa paranóia ao buscar a perfeição técnica para ser a estrela de "Lago dos Cisnes", o filme concorre em cinco categorias no Oscar: filme, direção, atriz, montagem e fotografia.

Não consigo entender o que O Lutador faz no currículo de Darren Aronofsky. Apenas correto do início ao fim, o filme estrelado por Mickey Rourke não tem nada a ver com a filmografia do diretor. Ele não é aquela obviedade que vimos em O Lutador. Aronofsky é aquele cara que perturbou meio mundo com um revolucionário retrato das drogas em Réquiem Para Um Sonho. Ou, então, aquele cineasta cheio de linguagem visual e narrativa diferenciada de Fonte da Vida. Aronofsky também é o sujeito que fez com que um casal simplesmente abandonasse a sala de cinema onde eu assistia Cisne Negro. Tudo o que existe de melhor no talento do diretor está expresso mais uma vez nesse longa protagonizado por Natalie Portman.

O casal que abandonou a sessão desistiu de Cisne Negro quando Natalie Portan e Mila Kunis encenaram um momento lésbico. Não é para menos, já que a cena é intensa e representa um dos picos de confusão psicológica da protagonista. Mas é exatamente assim que Aronofsky trabalha: ele incomoda, ousa e não quer saber de facilitar qualquer para o espectador. Mas, por mais que a cena seja muito realista, foi exagero desse tal casal ter fugido da sala de cinema. Cisne Negro, apesar de sua narrativa anticonvencional, está longe de ser um produto chocante ou de difícil aceitação. Pelo contrário. Esse é um longa-metragem complexo, mas perfeitamente compreensível e assistível. Diferente e ousado, mas nunca repugnante em qualquer forma.

Assim como qualquer outro longa de Aronofsky (e, repito, O Lutador, na minha opinião, não se enquadra nessa lista), o impacto não está no conteúdo e sim no visual e em como a direção conduz a história. Afinal, quantas vezes já não vimos essa história de paranóia? A diferença é que o diretor sabe como ninguém selecionar um tema aparententemente normal e transformá-lo num verdadeiro espetáculo sensitivo. Bem como Réquiem Para Um Sonho, Cisne Negro mexe com todos os sentidos do espectador, que pode se arrepiar com a beleza de um balé incrivelmente bem fotografado ou morrer de agonia em cenas de dor física da personagem. A direção magnificamente bem orquestrada, assim como a extraordinária trilha de Clint Mansell, transforma uma siples história em um completo espetáculo.

Cisne Negro é um filme que vai crescendo gradativamente. Se no início o roteiro faz apenas uma apresentação óbvia de seus personagens e depois aposta numa certa repetição para começar a ilustrar a paranóia da protagonista, aos poucos começa a se apropriar melhor do talento de Aronofsky e de todos os atributos técnicos para construir um filme mais intenso. Por fim, somos brindados com um ato final divino (possivelmente, a melhor execução de um desfecho dos últimos tempos). Tudo isso, claro, não seria possível sem a presença de Natalie Portman, que, assim como o filme, demora um pouco a se encontrar, mas deixa uma forte impressão no espectador. Os coadjuvantes Vincent Cassel, Barbara Hershey e, em menor grau, Mila Kunis, também ajudam na construção geral.

Longe de ser cult demais ou de difícil compreensão como aparenta, Cisne Negro é um filme de arte. Consegue o feito de unir várias linguagens artísticas (música, dança e cinema) em uma história que varia entre o drama e o suspense psicológico. Réquiem Para Um Sonho ainda continua imbatível como a obra-prima de Aronofsky e se Cisne Negro fosse o espetáculo que é a partir da metade desde o início, talvez também conseguisse obter esse título. Como não é, permanece como um filme altamente recomendável e destinado ao público que deseja embarcar em uma experiência diferente do que o cinema está habituado a apresentar. Achando ou não que o filme é uma oitava maravilha do mundo, é impossível ficar indiferente ao resultado de Cisne Negro.

 


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