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O titã dos mares Imprimir
Escrito por Gabriel Bocorny Guidotti   
Segunda, 16 de Abril de 2012 - 13:36

titanicEra um palácio flutuante, um navio dos sonhos. No dia 10 de abril de 1912, o RMS Titanic partia de Southampton, na Inglaterra, com destino a Nova York. Em sua viagem inaugural, levaria os sonhos de dezenas de pessoas que buscavam uma vida diferente no novo mundo, mas que teriam sua existência interrompida de forma melancólica. No dia 14 de abril de 2012, completou-se um século da tragédia. E mesmo tanto tempo depois, a história jamais esqueceu a fascinação exercida pelo Titanic: sua combinação improvável de fatores e seus dramáticos momentos finais. Naquele santuário de morte, a humanidade se sucede.

Era o início do século XX. No estaleiro "Harland e Wolff", localizado na Irlanda do Norte, quando começou a ser construído o maior titã dos mares. Medindo quatro quarteirões de uma cidade e com a altura de um prédio de onze andares, o Titanic tinha por objetivo transparecer a força de um colosso com o luxo de um hotel aclamado. E teve bastante sucesso nessa empreitada. Seu lançamento chamou a atenção de diversas personalidades importantes da época, que jamais poderiam ficar ausentes de sua viagem de estreia. Entre eles, John Jacob Astor, o homem mais rico do mundo; Isidor e Ida Straus, fundadores de uma das maiores lojas de departamentos: a Macy´s; e Benjamin Guggenhein, um playboy americano que fez fortuna no ramo dos negócios.

A tragédia do Titanic revela muito mais do que uma fatídica trajetória contra um pedaço cruel de gelo – proveniente da Groelândia. Concebido com maestria, o homem desafiou a natureza através do seu gigante de metal; atiçando-a, e sendo arrogante ao ponto de pensar que estaria acima de qualquer evento inesperado no Atlântico. A White Star Line – empresa proprietária –considerou em seu vídeo de apresentação, e com uma boa ajuda da imprensa, que o Titanic era "Inafundável". Alguns religiosos poderiam entender que o Criador ficou zangado, mas há de se crer nas coincidências resultantes de incríveis falhas humanas. Botes salva vidas insuficientes, binóculos dos vigias que jamais apareceram, velocidade intensa do navio em uma região repleta de icebergs, etc. Se formos parte de uma engenhosa obra da vida, o vaticínio do transatlântico estava fadado a um inapelável fim.

A história nos mostra que muitos atos institucionais importantes foram gerados através de acontecimentos trágicos. Nesse sentido, deve-se agradecer ao Titanic. Após seu naufrágio, ocorreu, enfim, uma profissionalização maior do território marítimo, que não possuía um controle efetivo. Foram criadas normas de bordo, presentes até hoje, que garantem a integridade dos bens mais preciosos: os passageiros. Hoje, é claro, há radares, mas na época lançaram-se brigadas de gelo, cuja finalidade era destruir os blocos maiores de icebergs. As medidas de segurança também se tornaram mais rígidas, com exigência de botes salva vidas para todos, além de leis mais efetivas para a navegação.

Cem anos depois, o que sobraram foram os destroços de um navio que foi o auge da engenharia marítima de sua época. O Titanic era tão diferente dos demais que poderia suporta-se com o abalroamento de quatro compartimentos: cinco foram destruídos. Hoje se veem apenas ecos do passado, resquícios da tormenta, além de inúmeros objetos que se completam com nossa imaginação frente o tempo e espaço. Ali pessoas viveram; ali pessoas morreram.

No fundo do mar, os restos de uma estrutura que já pertenceu à civilização, mas que agora faz parte do domínio oceânico. Um colosso recheado de vida – não humana. Às vítimas pode-se dizer: vocês saíram da história, mas entraram para a imortalidade.

 


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