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A queda de Golias no futebol Imprimir
Escrito por Gabriel Bocorny Guidotti   
Quarta, 23 de Maio de 2012 - 10:29

barcelonaHá algumas semanas, o invencível Barcelona foi eliminado da liga dos campeões pelo nem tão festejado Chelsea. Uma derrota e um empate com gols fulminaram a intenção dos catalães na competição dos campeões da Europa.

O futebol talvez seja o único jogo coletivo que permita a vitória do mais fraco sobre o mais forte, e isso divide torcedores ao redor do mundo. Neste confronto de Davi e Golias, o esporte mostra que é da condição humana torcer para Davi.

Por não possuir critérios de vitória, mas sim competência e efetividade, o futebol é apaixonante. Em partidas que confrontam times reconhecidamente fortes contra outros que não possuem a mesma fama, observa-se uma tendência de apoio aos aspirantes. Nesta recorrente batalha esportiva, às vezes, a luta de um time limitado pela consagração sensibiliza as pessoas e confere uma emoção maior a um embate concebido como perdido.

Segundo o diretor de esportes do jornal Correio do Povo, Hiltor Mombach, a derrota do Barcelona é a de um futebol inovador para um futebol mais ortodoxo, e é justamente por isso que o esporte atrai multidões, por ser imprevisível. O jornalista explica que a premissa de um time ser combatido por amantes do futebol se estabelece frente ao seu sucesso: "Os torcedores do Barça, espalhados pelo mundo inteiro, lamentaram o time ter ficado fora da Liga. Os que comemoraram o fizeram porque o Barça é o time a ser batido no mundo hoje, justamente por ser muito grande e estar em boa fase". Na mesma linha, o estudante de Jornalismo do primeiro semestre do IPA, Luiz Antunes, é taxativo: "acredito que o Barcelona ganhou tanto, que virou alvo de todas as torcidas do mundo".

Nesse contexto, portanto, o ser humano é hedonista, a ponto de seguir aquilo que lhe dá mais prazer, ao buscar uma novidade que gere emoções inesperadas.

Apesar do desequilíbrio entre os times, todavia, são constantes as surpresas que pairam sobre os jogos de futebol. Quando o mais fraco vence, encontramos uma questão de identificação. É o que afirma a psicóloga clínica e institucional, Lenise Fetter Steiernagel. Para ela, as pessoas, vitimadas, exploradas e oprimidas, em suas próprias circunstâncias, buscam uma saída que lhes traga liberdade. Existe, portanto, uma tendência de um significativo número de torcedores apoiarem o mais fraco, porque com ele se identificam.

Assim, para a psicóloga, o futebol acaba por representar algo muito maior, o sonho da vitória sobre o opressor, aquele que detém o poder na família, na escola, nas organizações, na sociedade, e, principalmente, nos governos. "Os mais fracos tornam-se vencedores e aliviam o seu sofrimento, mesmo que seja apenas naquele momento. Isto lhes dá a esperança de prosseguir e quem sabe vencer adiante. Existem também os que torcem pelos mais fortes, mas são minoria, principalmente entre as classes menos favorecidas economicamente", destaca Lenise.

A psicóloga também ressalta que, principalmente, na Europa, vive-se uma crise financeira. Desse modo, seria fácil compreender a identificação com o mais fraco, e conclui: "O futebol funciona assim nas mais diversas sociedades, tem público e por isso mobiliza fortunas. Os torcedores depositam, naquele momento do jogo, muitos dos seus sentimentos e frustrações. Fazem uma verdadeira catarse e, por isso, muitos saem de alma lavada".

 


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