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Ditadura partidária Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 07 de Fevereiro de 2013 - 14:33

renan-calheirosAquela estranha sensação de passar por um lugar ou viver algum momento e notar que aquilo não é uma novidade. Você já teve um Dejà vu. Comigo isto acontece o tempo inteiro, mas não em um sentido extrassensorial da coisa, e sim quando o assunto é a política brasileira. A eleição do Senado na última sexta-feira esgotou a última gota de esperança que o povo – consciente – do Brasil tinha de evitar a corrida irrefreável do país em direção ao abismo.

Renan Calheiros dispensa apresentações. Seu sorriso discreto, maroto, é uma condenação sem a necessidade do contraditório. Ele sabe de seu passado, sabe do "Renangate", e assim, ao invés de uma face austera, dá sorrisos. É melhor sorrir do que remediar as críticas. É melhor sorrir do que enfrentar a sua real face de corruptor.

Quando Calheiros foi eleito presidente do Senado na última sexta-feira, tivemos um exemplo de Dejà vu. Em 2007, a mesma Casa lhe derrubou da posição de mandatário, em razão do escândalo envolvendo a jornalista Mônica Veloso. É verdade que foi absolvido por seus colegas, mas convenhamos, o Senado – de partidos – não merece crédito. Se existisse transparência e fidelidade com a ética, o voto de nossos ilustres representantes seria aberto e não traria de volta ao poder um homem que emite a sombra de tantas acusações contra a administração pública. O próprio senador Paulo Paim, em tese um combatente de uma política honesta e não mascarada, afirmou que seguiria a determinação de sua legenda. Logo, vendeu sua alma por uma imposição colegiada. Lamentável.

A ditadura chegou a um fim, mas com ela não houve o advento da democracia. Não, muito pelo contrário, outro tipo de ditadura manteve-se após o período militar, uma partidária. Recentemente, estive vendo alguns vídeos sobre o impeachment de Fernando Collor de Mello. Na época, entre os deputados e senadores do Congresso, muitos dos personagens que permanecem presentes no atual cenário eletivo: Genoíno, Lula, Mercadante, Serra, Calheiros, Maluf e alguns conhecidos padrinhos que lançaram seus sucessores – fantoches.

As pessoas tem o direito de votar, mas votam sempre na mesma legenda, na mesma ideologia sistêmica que traz tantos escândalos ao noticiário. E nas as culpo, pois atualmente os blocos partidários são tão maciços, que é difícil um político de princípios emergir e passar por cima deste jogo de influência. Na eleição, não são promovidos apenas representantes, mas também empresários, entidades civis, entre tantos outros que patrocinam campanhas em troca de benefícios.

E assim, o chavão "isso é Brasil" se propaga entre as bocas de todos os brasileiros. Somos moldados, desde os primeiros anos, a odiar nosso país em razão da farra com o dinheiro público. Reclamavam da ditadura pelo autoritarismo. Reclamam da democracia pela corrupção. Seja qual for a forma de governo, o problema do Brasil é seu povo que deixa no poder representantes tão indignos.

Para mudar alguma coisa, vai levar muito tempo.

Texto publicado no blog: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


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