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A renúncia do papa Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 18 de Fevereiro de 2013 - 13:42

REUTERS-papaÂngelo Decano, um dos cardeais mais antigos do Vaticano, afirmou com tristeza: "a renúncia do papa foi como um trovão no céu azul". Em comunicado, Bento XVI, aos 85 anos, afirmou que vai deixar a liderança da Igreja Católica devido à idade avançada – alegando "não ter mais forças" para exercer as obrigações do cargo. O Pontífice ainda afirmou que está "totalmente consciente" da gravidade de seu gesto.

"Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com total liberdade declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro", disse. Em minha visão, não há vergonha na atitude de Joseph Ratzinger. Muito pelo contrário. É preciso muita honra para admitir suas limitações e renunciar a uma linhagem que remonta tempos bíblicos.

A Basílica de São Pedro esconde segredos e mistérios inimagináveis quando o assunto é a história da humanidade. Foi ali, segundo a lenda, que um dos 12 apóstolos de Cristo, Pedro, erigiu as bases da igreja que espalharia a filosofia cristã, se tornando assim, o primeiro papa e inaugurando sua sucessão. Dessa sucessão pouquíssimos renunciariam. Desde Gregório XII, em 1415, o mundo não testemunhou fato parecido.

A notícia é uma surpresa. O que era para ser uma manifestação comum, como tantas outras, serviu a um propósito extremamente incomum: um papa não precisa morrer para deixar de ser papa. A partir de 28 de fevereiro, portanto, a sede de Pedro ficará vacante, esperando o colégio dos cardeais oferecer ao mundo cristão um novo líder. Imagino que agora, entretanto, a Igreja Católica terá dois mandatários: um eleito, com poder, e um renunciante influente, enquanto viver.

Bento XVI não tinha o carisma de seu antecessor, João Paulo II. Sua eleição, segundo me lembro, foi uma escolha por um pontificado curto, em razão de sua extensa idade. Se Joseph Ratzinger for lembrado, certamente será pela condução da Igreja Católica em direção ao século XXI. Mitos antigos sobre ciência e tecnologia não se misturarem com a fé foram dirimidos pelo pontífice que, por exemplo, inaugurou um canal no Twitter para espalhar os ensinamentos de Cristo.

Notícias anteriores falavam da saúde debilitada do papa. A partir de agora, muitas especulações surgirão sobre os reais motivos de seu afastamento. No exílio, Bento responderá a si mesmo pela decisão que tomou. No poder, o mundo testemunhou um papa que derrotou estigmas e fez muitos inimigos, discutindo abertamente temas como a pedofilia, aborto, casamento gay e eutanásia. Será seu sucessor tão altivo?

Aguardemos o próximo "habemos papam".

Acesse o site: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


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