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Operação Balada Segura Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 05 de Março de 2013 - 14:51

Claudio-Fachel-Palacio-PiratiniA face do arrependimento é algo engraçado. Você observa aquilo que está a sua volta com um olhar vazio, sem foco, com a cabeça em outro lugar. Vejo faces de arrependimento a todo o momento, entretanto, na mesma proporção da incredulidade, há uma gota de aceitação na qual o motivo da consternação não pode ser mudado. É com este embasamento que lhes falo sobre minha experiência na Operação Balada Segura do Detran/RS.

Inspirada na Lei Seca do Rio de Janeiro, o projeto é uma parceria para a fiscalização do trânsito que envolve o Detran/RS, a Brigada Militar, a Polícia Civil e a EPTC, integrados ao Comitê Estadual pela Segurança no Trânsito. Com início em Porto Alegre, em quatro de fevereiro de 2011, o Balada se expandiu para outras cidades do RS ao longo de 2012.

O Balada Segura na capital dos gaúchos começa com uma reunião estratégica na sede do Detran/RS, localizada na Avenida Voluntários da Pátria. O local da blitz é divulgado minutos antes da saída, pela coordenação da Autarquia, de modo que o comboio, na sequência, se dirige para lá. O itinerário da noite era a Avenida João Alfredo, no bairro Cidade Baixa. Já na chegada, a equipe da Operação nem precisou se esforçar muito para observar as primeiras infrações. No entorno dos bares, uma corrida desesperada de motoristas que estacionaram em local irregular.

A abordagem dos oficiais da Brigada Militar e da EPTC é feita de forma gentil. Os motoristas são parados com a saudação: "Bem-vindo ao Balada Segura, documento e habilitação, por favor". O condutor sai de seu veículo e é conduzido ao teste do bafômetro, enquanto outros profissionais verificam a validade da documentação. Nesse momento, alguns, claramente alterados, recusam-se ao teste. Outros, criminosos de trânsito, são autuados após o etilômetro apontar qualquer nível de álcool no ar alveolar – conforme a nova Lei Seca – e assim são encaminhados à Polícia Civil.

Nesse contexto, um caso me chamou atenção. Um motorista foi autuado na infração de crime de trânsito. Aos policiais, afirmou que estava indo buscar sua filha. Sorte da criança que o Estado prestou um serviço efetivo. Outros espertinhos tentam, ao avistar a equipe do Balada, estacionar na rua, como se nada tivessem com a blitz. Os agentes estão preparados para este tipo – recorrente – de situação e vão atrás dos fujões. Em outras ocasiões, a fiscalização vai além de seu caráter autuador e assume um caráter policial em razão da ocorrência de outros tipos de crimes – sequestros, posse de entorpecentes no veículo, etc. Portanto, o foco da Operação é a alcoolemia, entretanto, muitos outros tipos de infrações podem ser constatados.

Para se ter uma ideia, na noite em que estive presente, um Citroen adentrou a marcação da blitz e acelerou com ferocidade. De dentro do carro, os oficiais ouviam os gritos de uma menina sequestrada. De prontidão, começaram a perseguição aos criminosos. Não tomei conhecimento do desfecho, mas os prognósticos não pareciam favoráveis à refém.

E assim, como forma de aprendizado, observei que a fiscalização é um trabalho sério executado por pessoas honestas. Eu nunca fui multado, então posso garantir que jamais sofri do vício de afirmar a existência de uma indústria de multas. Muito pelo contrário, participar do Balada me abriu os olhos para observar a existência de uma indústria de infrações. E aí começa a face do arrependimento de diversos motoristas que, passando pelo constrangimento da autuação, desejariam ao máximo ter cumprido a lei. Ao invés de se policiar e se educar, entretanto, criticam o poder público por um serviço efetivo que está prestando à vida.

Tenha consciência! Se dirigir, não beba.

 

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