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Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 20 de Março de 2013 - 17:39

Tio-SamDesde o descobrimento do Brasil, a nação tupiniquim foi alvo da invasão de muitas culturas diferentes que viam no novo mundo uma oportunidade de crescimento na vida. A formação de um povo dá-se assim, através de uma matemática maluca, na qual primeiro somamos, para depois dividir e, mais tarde, multiplicar. Mas não é só da conversão cultural que desejo falar; também gostaria de ponderar sobre o predomínio de uma americanização bastante evidente que toma conta do nosso dia a dia.

Pode ser preconceito meu – não creio que seja – mas me impressiona a quantidade de jargões estrangeiros utilizados em determinadas profissões. São tantas palavras de línguas diferentes, principalmente advindas do inglês, que às vezes me perco em saber o país em que estamos. Aviso-lhes do seguinte: este é o Brasil. Aqui se fala o português e, sendo o português nossa língua oficial, seria interessante um processo de acessibilidade na hora de valorizar nossa comunicação, esquecendo estrangeirismos e deixando de lado a ideia de que toda a cultura advinda do exterior é melhor!

Analisando o panorama geral da indústria cultural, não há dúvidas da razão desta realidade. Somos moldados a ser iguais, pois consumimos os mesmos produtos, assistimos os mesmos filmes, vemos as mesmas séries. Indo mais além, pelo menos no Brasil, inclusive nos vestimos de forma igual, com pouco espaço para variações, evitando a taxação do "diferente", que não é vista com bons olhos por nossa sociedade. Se a influência externa é tão grande, onde está o espaço para o livre arbítrio concedido por Ele?

Em minha opinião, sofremos de um complexo que nos leva a crer que tudo que não faz parte de nossa realidade é melhor. Este fenômeno talvez se dê em função dos países do exterior serem mais bem estruturados em todos os sentidos, recheados de valores que o Brasil ainda precisará trabalhar muito para atingir. Somos apaixonados por expressões inglesas, pois elas, desde nossa colonização, formataram presença marcante em nossas relações de consumo, enchendo nosso mercado com seus interesses. Assim, tudo que é daqui não presta. Ter sucesso hoje é também saber participar desse jogo de línguas.

Certa vez, na Assembleia Legislativa, o deputado Raul Carrion tentou modificar essa realidade, criando uma lei que vedaria gradativamente os estrangeirismos em produtos de consumo, de modo que estes se tornariam mais acessíveis na hora da compra. O projeto não andou e ficou na história. Na época, achava que seria uma iniciativa esdrúxula aplicar, de uma hora para outra, uma lei como esta em um país que foi colonizado por estrangeirismos! Hoje, entretanto, valorizo a iniciativa, pois verifiquei que a americanização é geral e, se quisermos crescer como povo, é necessário também valorizar tudo que é produzido aqui.

Assim, acredito que o português seja uma das línguas mais bonitas do mundo, apesar de estar sempre variando com correções ortográficas comerciais. Entretanto, deixar que ela seja dominada pelas informações que vêm do exterior é uma heresia a ser combatida, pois isso desvaloriza nossa própria nação, que fica presa à construção de projetos revestidos de palavras estrangeiras. Para se ter uma noção, existem tantas expressões já incorporadas ao nosso vocabulário que as pessoas falam naturalmente como se português fossem.

Pare e pense com o coração nacional: nas relações de consumo, você é um patriota ou um legalista estrangeiro?

 


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