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O outro lado de Porto Alegre Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 04 de Abril de 2013 - 13:40

Imagem Porto_AlegreTalvez Porto Alegre não tenha mais o charme de outras épocas, nas quais poetas e escritores utilizaram a capital como seu templo da criatividade. Mas ela continua; evoluiu conforme a inexorável passagem do tempo. As casas, antes amplas e familiares, deram lugar a apartamentos cada vez menores e caros. Os carros, e sua fumaça constante, trataram de desafiar a cidade, que é uma das mais arborizadas do país. Ainda assim, Porto Alegre é uma prenda que merece ser cortejada por todo o gaúcho que se preze.

Nestes 241 anos, o cidadão que ainda não conheceu seu menu cultural está perdendo uma grande oportunidade. Andar pela região central, uma das mais clássicas da cidade, é chance de tomar um café no Chalé da Praça XV e, após, fazer uma visita ao museu de um dos padroeiros republicanos do Estado, Júlio de Castilhos. Mais além, o Gasômetro e sua monumental história enriquece a vista da capital. Entretanto, nem tudo são flores. A beleza do passado se choca com a falta de beleza no presente, onde Porto Alegre beira, por vezes, ao colapso.

Na tarde de segunda-feira (25 de março), um grande protesto contra o aumento da passagem do transporte coletivo aconteceu em diversos pontos da cidade, gerando grandes transtornos no trânsito, que já anda caótico. As manifestações se deram em função da Prefeitura ter sancionado um aumento de 7,02% nas tarifas, o que gerou revolta, principalmente por parte de estudantes e usuários do transporte público. Aumentos desse tipo são constantes na capital, principalmente sobre serviços elementares, onde a dor na carteira é maior.

Júlio de Castilhos deve estar se revirando no túmulo quando a República que tanto defendeu mostrou-se tão ordinária. O poder público segue uma atividade sistêmica bastante simples: quando precisa de dinheiro, açoita o bolso do contribuinte. Entre idas e vindas, os reajustes são praticamente anuais sendo os que os salários não aumentam na mesma proporção, trazendo dificuldades a quem deseje subsistir na cidade grande. E não se trata de uma questão partidária, pois entra governo, sai governo e a situação permanece a mesma.

Além disso, a cidade sofre com a criminalidade. Somente em 2012 foram registrados 57 mil ocorrências de roubos e furtos de veículos – sendo 12 mil roubados. A sensação de insegurança é constante, independente das parcas políticas públicas que tentam frear a iniciativa dos malfeitores.  Os criminosos agem com tanta liberdade que chocam a população pela coragem na hora de delinquir.

Porto Alegre é uma cidade belíssima que sofre com a inoperância de seus administradores. A circunstância atual, lhes garanto, teria matado toda a criatividade dos poetas do passado, pois é absurdo atrás de absurdo que observamos no dia a dia. A solução que se vê por aqui não poderia ser diferente. Muitos cidadãos, corretamente, estão desejando sair da capital, pois sua estrutura não comporta mais o volume de pessoas. Projetos de negócios em cidades do interior ou mesmo concursos públicos são iniciativas palpáveis a quem anseie ter uma carreira segura e com a mínima garantia de que os aumentos não conspurcarão a presença de um prato de comida na mesa. Parece uma visão simplista da coisa, mas é a verdade. Viver em Porto Alegre sai muito caro!

Se posso fazer uma recomendação eu diria: venha para Porto Alegre, mas não como morador. Prove de nossos shoppings, de nossos pontos culturais e de nossa belíssima noite. Prove do pôr do sol do Guaíba, cartão postal do Rio Grande do Sul! Viver na capital, entretanto, é algo que necessita uma profunda avaliação de custo e benefício. Se você está disposto a se estressar com um trânsito terrível, ganhar salários compatíveis com o mercado – baixíssimos, viver em insegurança e pagar caro para necessidades básicas do dia a dia, então seja bem-vindo.

Caso contrário, Porto Alegre não é o seu lugar.

 

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