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Regulação da mídia Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 15 de Abril de 2013 - 19:30

Liberdade de_imprensa

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em entrevista recente, disparou contra a mídia e os meios de comunicação, afirmando que muitas reportagens e programas trabalham em torno de ideologias preconcebidas. Ele também defendeu uma “regulação da mídia”, constatando que ela deve ser gradativa, estabelecendo regras mais concisas sobre a liberdade de imprensa no Brasil.

Tarso Genro, entretanto, não definiu o que entende por “regulação da mídia”. O governador disse apenas que não se trata nem do direito de propriedade sobre a informação, nem da intervenção do estado nos veículos de comunicação. Nesse contexto, cabe relembrar a velha discussão do que é interesse público. Todas as reportagens que lemos em jornais e revistas são motivadas por uma crítica que representa o povo? A resposta é um sonoro não e seria uma grande ingenuidade pensar que sim. Mas todas as reportagens, certamente, têm um fundamento, e mesmo matérias em jornalismo investigativo, que buscam descobrir as verdades escondidas, podem ser tratadas como propaganda eleitoral.

Não pondero o conteúdo da manifestação, mas admito que o jornalismo, se quiser sobreviver ao futuro, precisa sim de uma reciclagem geral. Em um país que ainda vive uma democracia recente, as palavras do mandatário do RS soaram com um tom reacionário. O processo de busca pela informação evoluiu tanto nos últimos anos, que se atreveu, inclusive, a se desenvolver no arrepio da própria comunicação. Se fôssemos analisar o panorama geral que invoca a liberdade de imprensa, constataríamos que não existe liberdade total, diferente do que muitos jornalistas pensam.

Em minha concepção, existem quatro princípios regentes do Jornalismo. Em primeiro lugar, o jornalista deve ter compromisso com a verdade. Em segundo, a informação deve ser praticada de forma independente, livre de influências externas. Em terceiro, o dever do comunicar é prestar um serviço ao cidadão, se colocando no lugar dele. E, por fim, o jornalista deve pesar e agir conforme sua consciência, dentro de padrões éticos que permeiem a sua atividade.

Se o jornalismo mistura-se com ideologia, então o interesse público que baseia as notícias foi esquecido. Vivemos um Estado Democrático de Direito e a pluralidade deveria ser a marca de nosso país. Entretanto, se os veículos concebidos para serem “formadores de opinião” não se abrem ao apartidarismo, então acabam tomando a propriedade da informação, se tornando “formadores da opinião que lhes convém”. É verdade também que a crítica do governador vem em um momento turbulento do Rio Grande do Sul, sendo o desvio do foco uma alternativa atraente. Das duas uma, ou a acusação serviu para ludibriar olhares, ou foi um descontentamento gerado pela crítica jornalística de fato – aí se consagraria a função social da imprensa.

Dentro da recorrente polêmica do que deve ser publicado, tudo no Brasil tende a tomar um caráter político. Em verdade, volta e meia os veículos se veem de frente com assuntos de interesse público e fatos que interessam ao público, optando muitas vezes pelo segundo. Entretanto, se o governador afirma que é necessária uma regulação da mídia, é preciso também uma regulação da própria política, principal motivadora das críticas aos governos. Portanto, nessa guerra sem santos, cabe a você discernir o que vai acreditar.

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