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Viver a vida a pé Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 14 de Maio de 2013 - 01:23
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Porto Alegre é uma metrópole feia. Não por carecer de belos pontos turísticos, mas porque grande parte da população, lamentavelmente, troca pernas por carros. Na velocidade de um veículo não existe a sensibilidade da apreciação, afinal, a vida passa correndo e as pessoas caminham muito devagar. No meio dessa dualidade ficam os inúmeros locais culturais que, mesmo sem uma divulgação adequada, perfazem uma saída daquilo que mais se constrói  na cidade atualmente: shoppings.
 
 
Recentemente, escrevi alguns textos jornalísticos sobre a capital e seus caminhos positivistas – doutrina forte que comandou o Estado nos anos iniciais do século passado. Em constantes pesquisas, descobri uma riqueza cultural escondida àqueles que buscam passeios além do circuito ortodoxo da cidade. Os roteiros são riquíssimos e, a pé, é possível descobrir muito da história do Rio Grande do Sul, sempre vinculada à Revolução Farroupilha. Digo-lhes que o século XX guarda acontecimentos tão marcantes quanto.
 
O vício da população no uso de automóveis enche a cidade de engarrafamentos e stress. Cada buzinaço gerado pelo trânsito que não flui é uma preocupação a mais dentre as dezenas que as pessoas têm ao longo do dia. À exceção de motoristas mal educados que não respeitam a faixa de pedestre, andar a pé traz uma serenidade incompatível com o foco na direção. Cada passo dado é um metro a mais que se galga em direção à saúde e, é claro, a uma deliciosa apreciação das ruas da capital.
 
A ideia de motivar as pessoas a caminharem em Porto Alegre também é seguida de uma grande crítica. Ao compasso do crescimento do número de carros, cresce também a poluição em uma cidade que, mesmo regendo-se sob uma florida arborização, não dá vencimento. Andar pelas zonas de crescimento urbano é um desafio às narinas e aos ouvidos. Estes lugares transformam alguns passos em um desafio. Outros, entretanto, oferecem coisa melhor que shoppings, bares, boates ou criminalidade. E no rol seletivo de opções culturais em Porto Alegre, espaços desse segmento parecem não estar na pauta da construção civil.
 
Se eu pudesse opinar decisivamente sobre o trânsito eu diria: chega de carros e de seus terríveis dados de furtos e roubos; já temos o suficiente. Viver a vida a pé é muito mais edificante. O ar sai puro entre as árvores em substituição ao ar-condicionado e seu produto artificial. Além de passeios culturais, é possível também fazer exercícios que beneficiam a saúde. O ganho é duplo, portanto: uma atividade física somada a um passeio instrutivo. E isso não custa nada! Apreciar as ruas a pé não exige ticket de estacionamento e, muito menos, é passível de cobrança.
 
Pense nisso!
 


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