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Presidente em queda Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 26 de Julho de 2013 - 11:11

dilma1O futuro do Brasil começou, em 2013, a ser escrito nas ruas. As manifestações populares que percorreram as grandes capitais do país acenderam a luz vermelha da indignação contra os vícios na política. De acordo com pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a principal prejudicada do movimento, entretanto, foi a nossa presidente Dilma Roussef, que viu sua aprovação cair vertiginosamente em um curto período de tempo.

Segundo a pesquisa, o governo da presidente tem a aprovação de 31,3% da população. Na anterior, em junho, antes do início das manifestações, o número registrava 54,2%. A avaliação negativa do governo é de 29,5%. O desempenho pessoal de Dilma foi avaliado como positivo por 49,3% dos entrevistados. O número mostra queda em comparação à última pesquisa, quando o percentual foi de 73,7%. No total, 47,3% desaprovam a atual gestão. Em junho, os que desaprovavam o governo eram 20,4% dos entrevistados.

Antes da avaliação cega de números, é preciso revisitar os motivos pelos quais a queda foi tão acentuada em apenas um mês. Dilma, em verdade, pagou o pato de um partido cuja história recente mostrou que alguns dos mesmos guerrilheiros que lutavam em favor da liberdade, não eram melhores do que os ditadores dos anos de chumbo. Nesse contexto, a morosidade no julgamento do Mensalão e a falta de acusados atrás das grades incendiaram o povo brasileiro, que misturou uma série de problemas de gestão em um grande protesto.

Dilma, apesar dos esforços de arrefecer os ânimos da população, está no meio de uma batalha ideológica cujas responsabilidades não pertencem integralmente a ela.  A crise é generalizada entre o três poderes, afinal, não foi da presidente, por exemplo, a iniciativa da PEC 37, uma aberração jurídica que nossos ilustres representantes do Legislativo afastaram do ordenamento. Ainda, a falta de prisioneiros políticos por casos de corrupção, responsabilidade do Judiciário. No desconhecimento do povo, entretanto, muitos protestos foram dirigidos diretamente a ela, como se respondesse por todos os gestores desprezíveis deste país.

Não que eu esteja querendo defender o atual governo, mas é preciso reconhecer que a pesquisa mais importante para o momento é aquela que revela o descrédito da população para com o próprio sistema. A queda da popularidade da presidente é a queda justificada nas crenças de eleitores contra os próprios representantes que escolheram para proteger suas garantias individuais. Afinal, um país não funciona se o legislativo atua em causa própria, o Judiciário não condena e o Executivo farreia com os recursos públicos provenientes de uma alta carga tributária.

O regime democrático não significa apenas a prerrogativa do voto. Trata-se de uma garantia de acesso à saúde, à educação e a tantos outros direitos assegurados pelas Constituição de 1988. O protesto de hoje vai se prolatar no tempo, e as mudanças não virão instantaneamente, mas foi o começo promovido por um povo chamado de “preguiçoso” e “burro” que mandou uma mensagem aos mandatários desta nação. Dilma que o diga, pois a presidente sentiu, na queda de sua aprovação, que a hora da mudança chegou.

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