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Síndrome de violência Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 01 de Agosto de 2013 - 00:00

gauchoA cena é corriqueira e toma o noticiário de forma de negativa. No último domingo, em partida pelo campeonato brasileiro contra o Fluminense, torcedores do Grêmio entraram em confronto com a Brigada Militar. As imagens de violência são impressionantes: um contingente pequeno de policiais contra uma massa ensandecida que, mesmo sendo atacada por cacetetes e spray de pimenta, avançou sobre a guarda que protegia os portões da Arena. Por sorte, uma tragédia maior não aconteceu.

No país do futebol, a paixão é tão enervante que para muitos se transforma em violência. Há indivíduos de grandes torcidas que vão aos estádios com o objetivo de criar baderna e confusão. No último jogo, a ação da Geral – torcida organizada do Grêmio – se deu por um suposto excesso da BM contra um torcedor símbolo do setor. Após a retirada do indivíduo, também por um suposto excesso beligerante, seus companheiros foram para cima da Brigada, que reagiu como pôde ao grande volume de socos e pontapés.

Em grandes aglomerações, é incontestável que excessos são cometidos por ambos os lados. Na baderna e na emoção, a polícia acaba atacando pessoas que nada tem com a marginalidade, e bandidos travestidos de torcedores se infiltram entre as pessoas de bem que vão ao estádio para apoiar o seu time. Não obstante, tais bandidos são os mesmos que picham as cidades, destroem monumentos, saqueiam lojas em grandes protestos e, é claro, assumem uma extensa ficha criminal deixada de lado pelos ineficientes regimes de liberdade condicional.

Como forma de facilitar o registro de ocorrências, foi instaurado em 2007 o Juizado Especial Criminal (Jecrim). A unidade é responsável pelo atendimento de contravenções penais de menor potencial ofensivo que tenham ocorrido nos estádios de futebol de Porto Alegre, com pena máxima de dois anos, cumulada ou não com multa, como posse de drogas, arruaças, atos de vandalismo e violência e delitos de trânsito ocorridos antes, durante e após a disputa. Situações que configurem crime com pena superior a dois anos, como, por exemplo, lesões corporais graves, são processadas pela Justiça Comum.

O Jecrim auxiliou na diminuição de casos de violência nos estádios. A solução, contudo, ainda está longe de ser atingida. Não é de hoje que os mesmos arruaceiros de antes conseguem retornar às arenas para torcer e vandalizar. O Judiciário, portanto, está fazendo a sua parte e os clubes de futebol devem seguir o mesmo compasso, como forma de proteger seus torcedores e associados. Será somente com uma repressão efetiva aos vândalos que as pessoas de bem terão a condição de apreciar os espetáculos do esporte sem medo de se envolver em confrontos.

Até lá, o próximo Grenal ficou seriamente ameaçado de acontecer com torcida única. Durante a semana, entretanto, uma reunião destinou a entrega de 1500 ingressos para os colorados participarem do primeiro clássico da Arena gremista. Em verdade, o fechamento dos estádios brasileiros para torcidas adversárias é uma tendência bastante evidente e inegável, dado o clima de animosidade que surge pela emoção do esporte. A ação de alguns, portanto, vem contaminando outros, que não poderão assistir aos jogos de seus times fora de seus domínios. Sem mudanças, o futebol e a civilidade serão derrotados.

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