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David Frost e a função social do Jornalismo Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 17 de Setembro de 2013 - 13:19

frostEm 2008, assisti a um filme que não entendi direito, mas que me motivou a pesquisar mais sobre o assunto. Já naquela época a paixão pelo Jornalismo começava a brotar de meu intelecto, pois a película afirmou o caráter informativo e combativo que sempre gosto de observar entre profissionais de comunicação. “Frost X Nixon” é uma obra que, apesar de alguns exageros ficcionais, reflete um fato histórico que marcou era.

Sir David Paradine Frost nasceu em 7 de abril de 1939 em Tenterden, Reino Unido. Sua carreira seguiu em torno do ramo da comédia, tendo se tornado célere em programas de auditório. Em 1977, surgiu a possibilidade de entrevistar Richard Nixon, presidente americano deposto. Frost era uma opção plausível por sua “falta de seriedade”, de modo que uma entrevista aberta seria essencial para melhorar a imagem do ex-presidente para com o eleitorado. Pelo menos foi isso que os assessores de Nixon pensaram.

Após o impeachment gerado pelo caso Watergate, onde o Partido Republicano, a mando do Presidente, colocou escutas na sede do partido adversário, em hotel homônimo ao esquema, o jornalista posou de frente para o ex-presidente americano e conseguiu a resposta que os Estados Unidos precisava: um pedido de desculpas. Engraçado como são as coisas. Aqui no Brasil, Nixon, provavelmente, diria simplesmente que “não sabia”.

Não quero ser injusto com os outros jornalistas que trabalharam para descobrir o grande esquema de corrupção. Bob Woodward e Carl Bernstein somados ao “Deep Throat”, principal fonte reveladora do esquema, deram massiva contribuição para a revelação da verdade. Entretanto, nunca conseguiram uma confissão. Frost, contudo, foi mais além e se permitiu um embate com um presidente eloquente com as palavras e dotado de vasto conhecimento. Independentemente de suas habilidades, Nixon afirmou seus erros e se redimiu com o povo americano.

Há três semanas, Frost morreu após um ataque cardíaco em cruzeiro que fazia com a família. A notícia, surpreendentemente, não causou grande rebuliço em solo brasileiro. A pouca consideração com o óbito, em minha concepção, é um desrespeito à história do Jornalismo. Causa do desconhecimento ou da falta de interesse? Porcentagem considerável da “imprensa” atual se preocupa demais em descobrir a cor da calcinha da cantora Anitta do que revelar a verdade ao povo. São poucos os que atendem a função social do Jornalismo, qual seja, o interesse público – inegavelmente público – por intermédio de uma apuração ética.

A função social do Jornalismo, portanto, é exatamente essa: informar. Não necessariamente na modalidade combativa, tal qual prestou Frost na entrevista, mas prestar informações corretas, relevantes, livres de dúvidas e que respeitem os pontos e contrapontos. Richard Nixon é apenas um indivíduo que caiu frente aos valores da sociedade americana. No Brasil, há políticos que cometeram atos muito mais graves e nunca tiveram seus julgamentos.

Em nosso país, há muitos pedidos de desculpas que nunca foram dados. Que os exemplos do passado alimentem o futuro!

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