banner multi
Capa Memória Colunistas Cronicando Cultura nacional
Cultura nacional Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 28 de Novembro de 2013 - 01:04

culturaMuito se fala dos maus exemplos dados por nossos políticos no comando da nação. Aliás, certas condutas que deveriam estar eticamente implícitas, precisam de legislação para se consagrar. Os sábios, de imediato, notam os motivos pelos quais isto acontece. Os moderados atribuem os resultados do pleito a um descompasso histórico-social da nação. Os ignorantes, por sua vez, deixam de lado nomes ou ideologias: ficam com aquele que lhes oferecer os maiores benefícios. Há público, portanto, para diferentes mercados.

Mas existem outras categorias, assim como outros tipos de corrupção não criminalizada. Estes casos perfazem o “jeitinho brasileiro”, uma forma de tirar vantagem em certas situações. Os infratores jogam suas moedas no arrepio da regra, agindo na sombra da determinação. Desse modo, praticam a arte de delinquir prevista nos códigos do bom senso – aqueles não legislados. Mas como definir a classe?

A conduta desprezível é genial. O “jeitinho” se dá no momento que a determinação limitadora é reinterpretada. Quando ocorre, o concedente considera a situação particular em voga como mais importante que a norma universal e, dessa forma, analisa sobre outro ângulo, priorizando o seu caso específico, ou seja, o pessoal passa a ser mais importante do que o coletivo. No Brasil, fica difícil conseguir uma coesão cultural quando o pensamento em conjunto inexiste. Furar a fila, dissimular, ultrapassar o final vermelho; exemplos tão comuns.

O Estado foi forjado sobre o controle do “não pode”. O efeito de não poder é maior do que limitar as coisas que, de fato, podemos fazer. A situação já foi pior e, não faz muito tempo, vivíamos uma repressão do conceito. Na época, se o “jeitinho” fosse uma alternativa, a resposta era a prisão. Não exageremos, pois não precisamos nem de um extremo nem de outro. O Brasil precisa, sim, de cidadãos conscientes e, acima de tudo, respeitadores de regras, caso contrário não seria muito diferente de uma selva abundante em espécies.

Os agentes do “jeitinho” se consideram, normalmente, acima da crítica e das normas impositoras de uma sociedade. Para tal, sem melindres, se removem da equação de “cidadão comum”, um mero cumpridor da lei, para assumir a função de legislador pessoal, remodelando as regras conforme suas próprias conveniências. O ordenamento, ineficiente, vira um obstáculo a ser trespassado. Nenhuma gravidade factual emergirá da atitude, logo “não há problema” em fugir da linha em determinadas situações. Estes também votam.

Que importância tem alguns milhões em um país que move quantias bilionárias no plano econômico? Talvez seja este o critério de nossos ilustres mandatários no exercício de seu poder. O rombo é sentido pelas pessoas que pedem comida nas sinaleiras. O rombo moral, por sua vez, é incomensurável. Note que a proporção pode ser diferente, mas a razão de ser é a mesma.

Enquanto isso, a bandeira brasileira verte lágrima de vergonha. O fenômeno está tão incrustado na gênese de nosso país, que testar o povo geraria apenas desapontamento. Para reclamar, somos insistentes e incorrigíveis. Para mudar, contudo, leva muito tempo e ninguém olha para o próprio umbigo. Se a mudança do status quo é uma pretensão, é preciso condenar atitudes medíocres como se crimes gravíssimos fossem. O Brasil precisa acordar!

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA