Texto e imagem Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 10 de Fevereiro de 2014 - 06:20
superDizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Injustiça com literatos e cronistas, mas é o que dizem. De imediato, discordo, e mantenho minha posição: uma grande foto, além da qualidade do fotógrafo, necessita sim de um pouco de sorte. Texto anseia por competência pura; os bem-apurados. Nos dois casos, contudo, é preciso estar ali, sentir a imensidão do local, e disparar o gatilho da criação quando algo inusitado acontece. É assim que grandes imagens percorrem o mundo, ganham prêmios e entram para a história. Textos também, embora tenham assumido formatos diferentes com o passar do tempo.
 
Hoje os recursos são ilimitados. Equipamentos, lentes, formatação de luzes… tantas formas diferentes de registrar a realidade. Os futuros, por exemplo, terão uma visão mapeada de como foi a juventude de seus avós. Destaque-se: muitas fotinhos no espelho, na academia ou curtindo a vida adoidada em praias que exalam cheiro de drogas. Superando isso, não são essas as imagens que marcarão uma geração. Aliás, não existe critério para este torvelinho imagético; é preciso estar atento aos fatos que nos rodeiam.
 
Nos textos a situação é diferente. Eles já foram mais bem apreciados em épocas onde os jornais eram a mais eficiente forma de comunicação; um espelho do mundo. As pessoas se reuniam para folhear as páginas do impresso, recitavam em voz alta, discutiam e debatiam notícias direcionadas pelos veículos. Hoje grandes textos assumiram a formatação de vídeo, programas radiofônicos, esquetes teatrais, enfim, não ficam enclausurados no papel. A foto, contudo, sempre foi foto. Sua essência não muda.
 
O texto é recurso objetivo, basta sentar e começar a escrever. Nem por isso os caminhos de produção sejam fáceis. Exigem apuração, conversa com as pessoas. São informativos, divertidos, interpretativos e não podem abdicar disso, caso contrário perderiam seu propósito. Falar de trivialidades geraria apenas um êxodo de atenção das pessoas, e ninguém mais absorveria assuntos interessantes para debate. A foto não se permite ao pragmatismo. Foto é interpretação, exclusivamente! Olhar e olhar de novo, tal qual assentiram os grandes pintores do passado. Algumas de suas principais obras são um mistério até hoje.
 
Texto e imagem caminham de mãos dadas e devem manter equilíbrio constante. A falta de um ou de outro afrontaria a comunicação como um todo. Um completa o outro. Marido e mulher de visões filosóficas absolutamente diferentes. Parceiros da informação. Nos moldes atuais, as mídias se fundem, e do relacionamento de texto e imagem, rádio, TV e internet ficaram ambiciosos, querendo tomar espaço nessa praça. O espaço almejado, contudo, não é uma oposição.
 
Comunicar é usar todos os recursos possíveis e desenvolver um produto de qualidade. Escritos, fotos, seja qual for a mídia, você usa desses instrumentos para propagar um pouco de si, um pedacinho da sua visão de mundo, mesmo que o fato não lhe toque. Sinteticamente, tanto faz o pragmatismo do texto ou o grau interpretativo da imagem.
 
O objetivo é o mesmo: atingir um indefinido receptor. 
 
Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/
 
 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA