Panthera Onca Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 18 de Fevereiro de 2014 - 06:29

oncaA onça-pintada, pela Wikipédia: "a onça-pintada (nome científico: Panthera onca), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae, encontrada nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano. Hoje está praticamente extinta no mundo".

Animália grita socorro! E é por meio de um porta-voz, a onça-líder, que o apelo contra o fim da raça se desenha frente à extinção. Veja:

“Grauurrrr

Minha raiva tem objetivo, endereço e nome: o homem. A raça da soberania tecnológica, que se esqueceu de onde veio e para onde vai. O mundo animal caminha perigosamente à beira do colapso, vítima da ganância. Nossa pele é vendida a peso de ouro. Nossa carne é um fruto de vida – quase afrodisíaca. Nosso coração, contudo, jamais será de vocês.

Não há espaço em um mundo dominado pelos seres humanos. É impossível argumentar! Vocês se dizem donos de um local e ignoram a população que ali morou por gerações. Vocês são Deus, têm o poder de definir destinos. O nosso está selado e não há muito o que fazer. Há, sim, de se sentir vergonha pela impacto de seu progresso. Constroem prédios, mas não protegem a terra. Afunilam a mata e reconfiguram o espaço com seus gigantes de metal; destruidores de árvores, assassinos da fauna e da flora.

Eu tentei resistir como pude. Escrevo essa carta de dentro de um caminhão clandestino. Minha gaiola é apertada como o espaço de um passarinho. E não é exagero, é realidade. Caminho inerte rumo à perdição e ninguém saberá de minha morte. Talvez meus restos mortais persistam como um produto de beleza, um adorno perverso no corpo de uma mulher muito rica. Ela desconhecerá meu sofrimento, reterá apenas o resultado final.

Escalavrando a grade, meu esforço parece inútil. Chega um dia onde toda a vontade abandona o corpo e viramos reféns do silêncio. Mas então a calmaria é rasgada pelo clique da liberdade. O sentimento de esperança dura pouco e é interrompido ao estampido da garrucha. O tiro passa perto, mas não atinge o alvo. Resta correr em direção ao finito verde, procurando a salvação.

Contra as armas, as afiadas garras são como o orvalho na folha. Seria o desvario tentar enfrentar tamanha força. Eles sim são assassinos profissionais. Eu sou perfeitamente natural em um mundo inatural. Matei e matei muito. Mortes limpas, por sobrevivência. O ataque da humanidade ao meu reino não é justo, é uma covardia. Não nos deram chances de defesa e se aproveitaram do seu “desenvolvimento superior”. Que intelecto é esse que vê em tudo um sinal de hegemonia?

Não me resta muito tempo, então parto para minha última corrida. A determinação do momento final supera o poderio de fogo dos adversários. Meus alvos são três representantes dos homens, dos piores gêneros possíveis. Salto, abato um com minhas garras. Corro e mordo os olhos de um assustado bandido. O terceiro treme de medo e a ele eu mostro quem é, de fato, superior. Dou-lhe as costas em um sinal de desprezo.

E corro rezando ao Criador que salve minha espécie".

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA