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Sacrifício silencioso Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 21 de Fevereiro de 2014 - 13:16
borgiaPrimeiro vem o homem. Depois, nasce o herói. Por fim, na morte, aquilo que era vida vira lenda, e as multidões contagiadas, sem direcionamento, iniciam uma busca sangrenta pelo poder que adveio da luta do Messias. A Cristandade é assim, cheia de percalços e incoerências, muitos questionamentos e poucas respostas, além de um crescimento cada vez maior da exploração da palavra de Cristo como forma de manipular mentes e angariar mundos e fundos – literalmente.
 
Como definir o que é divino? Durante muito tempo, indivíduos nomeados cardeais promoveram a Palavra da Santa Sé. Diziam às pessoas: “não pequem, meu filhos”, mas no íntimo dos corredores romanos o maior pecado era cometido por eles. Deste grupo ascenderam papas com gostos militares, homens mancomunados com passatempos lascivos; poucos realmente preocupados com transformações significativas da humanidade. Os palácios eram de ouro, mas as pessoas eram pobres. Quer incoerência maior que essa?
 
A humanidade, contudo, evoluiu. É edificante ligar a TV e assistir programas da fé. A cura está ali, poucos passos adiante, e a palavra do pastor tem poder de lei orgânica. Sinta o tom da ironia. Se Karl Marx afirmou que “a história se repete”, vou além em induzir que a repetição acontece nas linhagens nobres, seres superiores... mitos criados pela riqueza. Em um mundo sem ouro, os bandidos virariam heróis. Aliás, em um mundo sem ouro, as pessoas seriam medidas por suas qualidades inatas ou pelo esforço em otimizar características passíveis de desenvolvimento. Poder, de fato, anuvia o julgamento, põe o caráter em teste e corrompe o espírito.
 
Qualquer religião que se preze necessita de alguns elementos essenciais. Começa por um ser superior, onipresente, onisciente e onipotente. Depois, para espalhar a palavra da fé, uma extensão terrena desse poder, mesclada na figura do filho ou do grande profeta, que comandaria a humanidade em busca da salvação. Nesse contexto, começa o impasse filosófico contra os ímpios.
 
Jesus Cristo viveu de forma humilde, quase monasticamente, abdicando de riquezas. Ele era homem, filho da descendência e dotado de ideais que declamavam seu amor pela humanidade. Não havia marionetes acatando seus desígnios, apenas fé e devoção. A ascensão do único Deus, contudo, deixou as pessoas confusas. Afinal, no que acreditar? Na Inquisição? Deus não poderia ser tão mau como a pintura dos anos de perseguição religiosa. No próximo? Sim, Jesus disse isso. Se a dúvida se tornar excruciante, entretanto, confie em uma pedra. Não tem erro!
 
Independentemente de quão distorcida possa ser sua visão de mundo, você não precisa de ninguém que lhe fale do poder da fé. Está em você, dentro das próprias convicções, e fluindo por meio de um sacrifício silencioso. Se nem todas as respostas podem ser concedidas de imediato, cabe às pessoas descobrirem seu real poder interior e abdicarem de vis manipulações seculares. 
 
Essa é a fórmula infalível da felicidade, escondida no éter por todos os deuses, de todas as religiões, somados e interagindo sob o mesmo teto.
 
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