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A arte da guerra Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 25 de Fevereiro de 2014 - 01:39

solA guerra é assim; malévola e cruel; feia e pobre; injusta e impactante. Nos veículos de comunicação escutamos notícias relativas aos conflitos. Na verdade, absorvemos números, não histórias. Pilhagens de corpos, vidas inteiras! E por qual razão? Poder? Nazismo, Fascismo? Mesmo os momentos mais escuros da humanidade nos forneceram uma importante lição: só resta esperar a próxima.

Durante centenas de anos, impérios ascenderam e decaíram. Construíram seu estilo de vida com base na escravatura de outros povos; inferiores, bárbaros. Veja bem, a ânsia de conquista não tem limites! Todos trabalham para crescer e ocupar uma posição de destaque na sociedade. Na guerra, entretanto, o crescimento representa expansão territorial e econômica. Vencer a concorrência é colocar a cabeça de seus líderes à disposição no cadafalso. A morte é sua maior virtude.

Não existe honra na guerra. É irmão contra irmão. A história refere inúmeras batalhas imortais, mas se esquece de lembrar os custos. Muita poesia e pouca veracidade. E aqueles que nunca terão seus nomes lembrados? As homenagens fizeram jus ao sacrifício? Certamente que não. O soldado morre para uma realidade que não mais verá. Antigamente justificavam a queda gloriosa à vida digna no Elíseo. Hoje há outros Elíseos, muitos.

O canhão dispara e no calor do ataque pedaços humanos voam pelos ares. Quando o portão da cidadela se abre, é “salve-se quem puder”, pois os invasores não serão piedosos em poupar vidas. Considere, então, a evolução tecnológica. 300 aviões acelerando em direção a um massacre. Ou apenas um, porém dotado do poder mais destrutivo que o planeta já presenciou. Famílias inteiras varridas da face da terra. O que esperar do futuro?

A guerra não é negociação, é destruição. É o soldado bruto e sisudo, com saudade de filhos que ainda nem conhece, pilhando e saqueando outros povos. Estupram mulheres, roubam pertences e depois exigem alianças. Quando o orgulho é maior que a derrota, vencedores reúnem vencidos em uma vala comum e jogam sobre eles as cinzas do Inferno. A refrega vira memória do poeta, que com aleive dá uma nova roupagem àquele infortúnio.

Enquanto isso, jovens morrem e velhos bebem. Legionários, soldados, guerreiros, todos na linha de frente, enquanto o brilho da coroa reluz no alto da colina, longe demais para ver ou para sentir o choque de metal contra carne. Eles lutam por um país que nem conhecem e que nada lhes dá, a exceção da guerra. Se desejarem paz, precisam da guerra para obtê-la, e todo seu esforço, caso retornem vivos, será concentrado em um adorno que representa o orgulho nacional. O orgulho próprio, ferido, nunca cicatrizará.

E no século XXI a guerra permanece. O dinheiro é bom, por que não investir? O custo de uma vida é um preço pequeno a ser pago para lutar pela extrusão de terroristas, neonazistas, Black blocs ou qualquer outra categoria que mereça embate. Algumas lutas são provocadas e justas. Destas, a defesa é a tese do ataque e não há como dirimir o sentimento de vendeta do ser humano. Ele é intenso, flui do íntimo e só se encerra no momento final da vida.

Mesmo ali não se encontra a paz.

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