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Festa incompreendida Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 17 de Março de 2014 - 10:58

Em 2007, sacramentou-se o que o Brasil não via em muitas décadas. O presidente Lula, e sua política de abertura, trouxe ao país a Copa do Mundo de 2014. Trem vem, trem vai, chegou o ano! O maior evento futebolístico do mundo a ser realizado em solo nacional. Há benção maior que essa para uma terra que há anos ganhou a pecha de “país do futebol”? Ainda assim, a Copa é incompreendida por uma miríade cidadãos indignados.

Se as reclamações são justas, não cabe debater aqui. A Copa, contudo, se sentiu ofendida e escreveu uma carta ao povo brasileiro. Confira.

“De cara, digo a todos: não tenho culpa ou qualquer responsabilidade sobre aquilo que me acusam. Eu estava bem quietinha em meu canto, curtindo o descanso merecido de quatro anos, e aí o “sapo barbudo” me chamou com para conversar, com carinho, pedindo que eu visitasse seu país. O assédio foi forte demais para resistir, além do fato de eu já ter conhecido o Brasil em 1950. Não tive dúvidas em aceitar o convite!

A decisão do mandatário, entretanto, não parece ser a da maioria. A FIFA agenda os preparativos de minha chegada ao compasso de um noticiário ruim, cheio de protestos, violência e insatisfação. Procurei entender os motivos e descobri que os serviços de base no Brasil deixam a desejar. Descobri também que os milhões investidos em mim jamais chegarão a pessoas em graves de níveis de vulnerabilidade social. Eu poderia ficar consternada, mas esse seria um sentimento injusto. Reitero que a culpa nunca residiu em mim!

Neste momento, aguardo o posicionamento dos mais retumbantes movimentos, afinal, são muitos os inimigos mascarados que me julgam a razão de todos os seus problemas. E isso eu não consigo entender. O que fiz? VOCÊS vieram de encontro a mim. VOCÊS manifestaram seu interesse na época, sem qualquer ressentimento. Agora querem ver o circo pegar fogo? Por que o fervilhante povo brasileiro não foi às ruas quando da decisão do governo em sediar o maior evento do futebol? Questionamento atrevido este, não é?

Não tenho o poder de empertigar a vida de ninguém. Não construirei escolas, hospitais, bem como outras estruturas que advenham da necessidade de desenvolvimento. Eu vou, sim, entrar para a história da humanidade. Não por títulos ou bolas na rede, mas sim por democratizar o esporte e colocar todas as pessoas em um mesmo patamar. Sintam o véu da igualdade, aprendam comigo os princípios da pluralidade. Só não cometam violência, pois aí a Copa vira guerra.

Agora que os pilares estão montados é complicado rever a decisão. Já comprei passagem e somente algo muito surpreendente poderia colocar fim à minha ocorrência. Estou embasada pelas polícias estaduais e Exército, embora o medo não deixe meu íntimo. Medo de ver uma das maiores festas do mundo frustrada. Medo de o Brasil criar um precedente único e lamentável na história do esporte. Até Mussolini permitiu um evento ordeiro! Tal façanha não será vista em Terra Tupiniquim?

Se eu deixar de ocorrer, ressurjo das cinzas em 2018, em outro continente. A mácula brasileira, no entanto, será grande demais para o tempo extirpar. Não façam da grande festa um momento de angústia. Copa é momento de sorrir e celebrar a união dos povos. O mundo fazendo o golaço da paz!

Não destruam isso, por favor”.

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