50 anos depois Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 07 de Abril de 2014 - 17:27

Ditadura-MilitarProteste, lute! Agora você tem liberdade para tal. Esta, aliás, é a batalha mais ingrata pela qual massas se sacrificaram ao longo da história. Onde há poder, sempre há um louco arbitrário que, se não comprimido sobre seus próprios devaneios, fará mau uso da condição privilegiada. Após nocivos precedentes, chegamos a um momento onde ser livre é direito imperativo do brasileiro. A liberdade, entretanto, é condicionada por inúmeras decisões, inúmeros interesses e oligarquias que se revezam em época de eleição.

Em 31 de março de 1964, os militares precipitaram o golpe. No Rio, Jango deixa a sede do governo, translada a Brasília e depois viaja para Porto Alegre. Temendo um banho de sangue, decide não reagir e segue para o exílio no Uruguai, embora a palavra brizolista fervilhasse pela resistência. Com o presidente ainda em solo nacional, o cargo é dado como vago por Auro Moura de Andrade, presidente do Senado. Em 15 de abril, o general Humberto de Alencar Castello Branco assume o poder.

Começava o regime militar. Cinco mandatários – escolhidos pelos votos de seus asseclas – mexeriam nos alicerces brasileiros conforme o sectarismo que lhes era característico, e a postura intransigente da ditadura causaria incontáveis vítimas, engolidas pelo tempo. Da noite para o dia, famílias foram separadas, direitos foram arrancados e políticos tornaram-se prisioneiros. O país viveria 21 anos de censura, abuso da autoridade estatal e a caça constante aos “inimigos”. Um alvo posto em cada cidadão brasileiro, caso não navegassem no ritmo do novo governo. Pluralidade de opiniões, vedada.

Não existia mais civismo. O teor patriótico dos discursos servia para exaltar os anos de chumbo ou para exportar ideias deletérias à opinião pública. Pensar foi uma palavra riscada do dicionário; acatar, no lugar dela. Um homem escravizado instila a mente à revolta, mas escravize a mente de um homem e o corpo a seguirá naturalmente. Esse era o critério dos militares e, devo admitir, deram conta do recado. Dentro do propósito, fizeram um ótimo trabalho. Resta à história condená-los.

O respeito é conquistado. Não é herdado ou comprado. E não se pode ser ganho à força. É impossível acabar com o último resquício de orgulho do ser humano. É como um tubo de pasta de dente. Por mais que se aperte sempre sobra um finzinho de pasta, não é? 50 anos depois, ainda avaliamos de perto os atos dos arquitetos da infelicidade alheia e lançamos a inevitável indagação: ressonantes problemas continuam. De decisões, más decisões, o povo brasileiro permanece escravizado.

Há liberdade, mas a educação é precária, baseada em perecíveis “políticas afirmativas”. Não existem ousados planos para mais 50 anos, pois não geram votos. A censura se foi, embora a livre expressão permita conhecer o deplorável sistema público de saúde. Não deixa de ser uma espécie de ditadura, só que esta a da incompetência, dos interesses partidários – acima das necessidades do povo.

50 anos depois, a liberdade plena ainda não catalisou seus princípios em meio ao povo brasileiro. A democracia sempre será melhor que a ditadura, mas precisa ser executada qualitativamente, tanto por gestores quanto por eleitores. Há solução! O país foi forte para sobreviver ao tiranismo e pode ser forte para fazer diferente no futuro. Pense nisso.

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