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O grande coelho branco Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 08 de Abril de 2014 - 22:49

inter3O mágico pavoneia sua grande habilidade. Muitos anos de estrada. A cada truque, olhares brilhantes prospectavam-se na sala de espetáculos. Ali, ele era o rei e todos obedeceriam ao torvelinho de ilusão. O show, entretanto, se encaminhava ao gran finale. De dentro da cartola negra, que parecia vazia até então, sai um enorme coelho branco, puxado pelas peludas patas. Um desfecho digno; dignitário de um grande artista.

Imagine o coelho como o universo. Ele é a soma de todos os astros, corpos celestes, criaturas, religiões, etc. Na base dos pelos, como um grão de areia na imensidão, mas no epicentro da criação, a humanidade. Ignore seus sentidos. Para tentar explicar a existência do coelho, a filosofia. Para tentar explicar a criação do coelho, a filosofia novamente, também conhecida como a capacidade de se admirar com as coisas.

O texto começou com um mágico, mas no gênese tudo frutifica por meio de uma criança. Vamos supor que uma família esteja reunida para um jantar. Pai, mãe e filho. De repetente, o pai começa a flutuar pela cozinha. A criança, de imediato, aponta com alegria: “papai tá voando”. A mãe, de costas para a cena, vira-se e solta um berro. Seu costume à gravidade fê-la perder a capacidade de se surpreender. Diga-se de passagem, um filósofo é uma pessoa que permanece a vida inteira com a mente aberta, como a de um bebê.

Voltemos ao coelho. No topo dos pelos, filósofos e crianças voam, praticando seus sonhos. Lá embaixo, bem no fundo, incrustados na base, os apáticos e indiferentes. Indolentes, não aceitam largar sua realidade. O cotidiano os consumiu de forma irreversível; perderam a capacidade de se admirar. Enquanto isso, o mundo revela-se heterodoxo. A vida não é nascer, crescer e morrer. É também perguntar.

A árvore evolui e dá frutos. Mas de onde vem a árvore? Da terra. E de onde vem a terra? Do solo. E de onde vem o solo? De formações milenares. E de onde vêm as formações milenares? Do Big Bang. E de onde vem o Big Bang? De Deus. E de onde vem Deus? É possível haver um Criador do Criador? Perguntar é essencial! Pisar no mundo apenas de passagem é uma afronta à condição humana. Quem nunca se viu diante de uma indagação existencial, bem, nunca foi capaz de se admirar.

Permanecer receptivo é instrumento de caráter! Buscar respostas insufla o espírito e nos concede cada vez mais motivos para viver. Houve um tempo, deveras, onde perguntar era proibido. O Iluminismo, contudo, nos livrou da Caça às Bruxas. E foi neste momento histórico onde as grandes mentes da humanidade libertaram seu povo para pensar. Liberdade esta, utilizada por poucos ao longo da história.

A rotina pode ser pesada, mas não explica a substituição de homens por máquinas. Hoje, a carne virou ferramenta na linha de produção, e a capacidade de se admirar morreu no fundamento mercantilista. Você não são máquinas, são pessoas! Pensem, confrontem ideias, respirem a brisa da manhã! Imaginem o segredo que reserva a cartola do mágico, conjecturem sobre as origens do universo. Explorem o grande coelho branco!

A jornada responderá à admiração.

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