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A premissa de Descartes Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 24 de Abril de 2014 - 10:19

la2Segunda premissa de Descartes: perambulando em uma floresta, você pode penetrar entre as armadilhas das árvores ou tentar seguir o caminho mais retilíneo possível. Na primeira opção, é provável que a mata engula a existência do aventureiro. Na segunda, bem, nada é garantido, mas trata-se uma forma verossímil de tentar escapar da clausura. Tudo caminha na base da estratégia. Resta escolher a melhor para o momento.

O que as pessoas não sabem é que a floresta está fechada em torno de seu eixo. Mesmo seguindo reto por toda a eternidade, um dia você retornará ao ponto inicial. A razão? Gaia (ou mãe-natureza!). O maior organismo vivo do universo, até onde sabemos. Aqui há ecossistemas diferenciados, ora pela arquitetura natural, ora pela teoria das evoluções, que permitiu o advento de espécies “melhores”. Infelizmente, as espécies “melhores” criaram tecnologias e inovações capazes de trapacear: pelo céu, pelo mar ou pela própria terra – derrubando as árvores.

Agora é possível conhecer Gaia como nunca antes. Em segundos. E o trajeto não precisa ser retilíneo. Basta o aparato certo para submeter o planeta a nossas vontades. Um clique ali, um tijolo lá; é possível viajar, inclusive, até outros astros, satélites e corpos celestes. Experimentar e construir mundos que ninguém jamais viu. Descartes não contava com o advento do futuro e muito menos com a resiliência das pessoas em inovar após a provação.

Não existe tempo – como outrora – para enfrentar a floresta. Mesmo andar em linha reta provou-se incipiente. As técnicas se aperfeiçoaram, a começar pelo abraço ao pragmatismo. Ninguém tem disposição para ouvir ninguém. O costume à gravidade retraiu nossa intensidade. Agora somos ferramentas de uma engrenagem maior. Peças da mola propulsora chamada humanidade. Soldados de uma análise dialética, espacial e coordenada.

As modernas florestas foram construídas em linhas retas, bem engendradas, organizando a gama de elementos à culminação de uma razão social. Isso não quer dizer, em termos, que só advenham positividades deste cenário. Em vez de plantas, carros. No lugar de animais, pessoas, embora a qualificação semântica da palavra floresta não faça referência às criaturas que a ocupam. As variáveis do ambiente é que contam. Aliás, outro limitador: não é de bom-tom apregoar preconceitos; eles são como galhos centenários colidindo contra o crânio.

Inimigas da pós-modernidade, as árvores realizam a resistência aos novos moldes, descartando sua extinção. Vaticinam que um dia o genocídio será lamentado. Argumentam que sem oxigênio, o planeta se tornaria inóspito. Lutar para sair das florestas está se tornando atividade trivial, portanto. Ponderando os parcos cobertores verdes que ainda se estendem pelo mundo, sobreviventes é o que elas são.

Qual o principal fundamento das novas tecnologias? Deixar a vida mais confortável. O homem já mostrou sua capacidade, por que não provar de novo, sendo Deus até na substituição do meio natural? Andar em linha reta é uma boa estratégia, mas pode demorar. Vamos pular etapas, esgotar os recursos que nos mantém vivos e encontrar a saída de uma vez por todas.

Em breve, nos veremos.

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