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O Olho que tudo vê Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 12 de Maio de 2014 - 17:22

olhoO grande Olho paira sobre nós. Ele está ali, registrando a última gota do orvalho, o espirro molhado de um idoso, o sorriso enigmático de um hipócrita. Não se engane. Você também está sob a égide dele. Todos os movimentos meticulosamente registrados; não há saída! A saída seria desligar a tomada e ver a bateria morrer. Energia natural não insufla matéria mecânica, apenas orgânica.

Sem o Olho, as pessoas encontrariam uma ponte pacífica à liberdade. Observariam o mundo para cima, não para baixo. Observariam sem medo de ser feliz. Quem se importa com uma ruga aqui e outra ali? Por que essa insistência em esconder a realidade? É tão difícil assim aceitar o mundo exatamente do jeito que ele é? E aí começa uma disputa acalorada entre espaço ideal e espaço real.

Pululando entre os dois, o Olho é o pandemônio velado. É uma afronta à comunicação oral e escrita. Um desatino ao bom-senso. Sua veloz imersão é contrariamente proporcional à qualidade de seu conteúdo. Ele esparge uma imagem produzida, retocada e mentirosa. Isso quando não atua reconditamente, longe do conhecimento alheio, buscando comprometer a dignidade de uma pessoa.

O advento tecnológico formou raiz de uma frondosa árvore de possibilidades para o Olho. Ele habita instrumentos diferentes, mídias diferentes. Está em todo parte! Bolsos, óculos, máquinas diversas. Psicologia e Psiquiatria escreverão a bíblia do novo século, onde a Síndrome do Pânico e a inquietação se tornarão componentes do Gênese. Mas nem tudo é perdição, por incrível que pareça. O Olho também serve a propósitos genuínos. Ele abre uma ponte entre animais perdidos que precisam de uma casa. Mostra a abjeta situação de vulnerabilidade social que passam massas específicas nos países. Registra os últimos momentos de vida.

O Olho está atento a todos e a tudo. Sua visão, entretanto, não é holística. Assiste com meias-verdades, sem ingressar no epicentro da razão. Compra e vende o que quer, recebendo e influenciando o desígnio das pessoas. A beleza é seu principal satã. Veja a idade! Anos a mais mudam as pessoas? Idade significa experiência, não descrédito. Ao compasso do esmorecimento da carne, o Olho torna-se implacável. Atua diretamente no espírito, que repudia a imagem refletida no espelho. Diz para o agente: “vede, esconda, modifique sua própria essência”.

O Olho não é Deus. É uma criação humana dotada de incomensurável poder. E sendo uma criação humana, deveria reproduzir o olho humano, não? Não. O olho humano é limitado pelo excesso de realidade. O Olho se permite editar, reconstruir, reformular, refazer; se locupleta pelo excesso de idealidade. Nota a diferença? Um é natural e flui na medida das vivências. O outro é artificial e criar mundos que não existem. Qual escolher? O mundo, nu e cru, carne e osso, é melhor do que uma ilusão aprimorada?

A humanidade está presa. Presa por aparatos que construiu para auxiliar em sua evolução. Evolução esta que passou a ser inatural, artificial. Artificialidade esbaldada, exalando de todos os cantos do planeta. Planeta Terra que está perdendo a guerra para o Olho.

O tempo está se esgotando.

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