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Os tiques do relógio Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quinta, 29 de Maio de 2014 - 16:35

liv61O dia tem 24 horas. Meia-verdade. Tem 23 e alguns quebrados. Discutir minutos e segundos, entretanto, não é o ponto principal deste bate-papo. O objetivo é verificar os tiques do relógio de forma contextualizada. Afinal, 24 horas perfazendo um dia é muito ou pouco? Quanto tempo as pessoas necessitam, genuinamente, para serem felizes no amor, no trabalho e consigo mesmas?

O relógio responde. Eis uma carta à humanidade.

“Tic-tac, tic-tac…

Devo correr. Tenho apenas algumas horas antes de recomeçar o ciclo. Ainda não sei discernir se sou real ou imaginário. O tempo existe de fato ou trata-se de uma criação humana para registrar marcos e delimitar acontecimentos? Se eu tivesse personalidade, provavelmente imergiria fundo nas questões existenciais atreladas aos meus tiques. Mas não é o caso, então vou deixar passar a indagação adiante e continuar minha função contínua, incansável e permanente.

Eu apenas jogo a oportunidade. Resta a cada um aproveitar o tempo da forma que lhe convém. Estou em todos os lugares. Não existiria civilização sem relógio. Os antigos não dispunham das atuais tecnologias digitais, mas mediam seus compromissos pela posição do Sol. Rudimentar, porém eficiente. Talvez seja um dogma religioso: parte do dia precisava ser reservada à comunhão com Deus. Hoje as pessoas tratam esse tipo de crença com desdém. O Santo Ofício desta geração é a temporalidade.

Meu trabalho é interminável e se renova a cada instante. Há horários para tudo. Há inversão de horários para tudo. Há também horas extras e banco de horas em muitas empresas. Resumidamente, o tempo só é malfazejo a quem não consegue se organizar sobre ele. Os tiques são administráveis e, eu diria, generosos, mas sem um mínimo planejamento, dez anos terão se passado num instante. E sem contribuição significativa à humanidade.

Quando uma situação é ruim, afirmam que meus tiques passam vagarosamente. O aumento da velocidade, dessa forma, é proporcional ao prazer sentido. Devo discordar. É tudo psicológico, afinal, não existe ciência mais exata do que a que lida com números. O mesmo critério vale para a ansiedade. Há momentos onde a expectativa por algum acontecimento é tamanha que o tempo, simplesmente, não passa. Passa sim. Os ansiosos é que relutam em acreditar.

Outrossim, as pessoas estão perdendo tempo e, desse modo, estão perdendo qualidade de vida. Cada volta no relógio precisa ser bem cronometrada, pois o desperdício não é passível de recuperação. Um dia é um período que não volta nunca mais e acredite, dá para fazer muito! É só ter foco e confiança. Acreditar que aquele será o melhor tempo já vivido. Mas nem todos se nutrem dessa crença em si. E muitos ficam presos horas a fio dentro dos infernais engarrafamentos do trânsito.

O tempo é incorruptível. Ele é o único fenômeno que o dinheiro não compra. É igual para todos. E eu sou o seu senhor. Se chegar a hora, evite súplicas – elas não terão qualquer efeito. Considere-me uma simples agenda universal, pois não tenho qualquer propriedade sobre o destino das pessoas. Registro o nascimento e o falecimento; o casamento e a separação. O dia do primeiro beijo até a desilusão total com o amor. A propriedade da vida é de vocês. Use-me como um adereço, uma diretriz, mas por favor…

Não desperdice”.

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


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