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Educação em pauta Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 04 de Junho de 2014 - 15:47

educacao piadaUm país que cresce é um país que investe no seu capital mais valioso: as pessoas. E falo sobre educação. De nada adianta criar numerosos programas de acesso ao nível superior, quando o ensino de base deixa a desejar, alçando jovens despreparados para enfrentar o tortuoso mercado de trabalho. Mas eis que uma luz alentadora aparece no fim do túnel, mostrando uma realidade não tão negativa assim. Será o início de uma história que dará novo condão às políticas aplicadas na área?

A Câmara dos Deputados aprovou, em 28 de maio, o texto-base do Plano Nacional pela Educação (PNE) – decênio 2011-2020. Com atraso de quatro anos, a bem da verdade. Resumidamente, o texto determina que o Brasil amplie o acesso à educação e aperfeiçoe a qualidade do ensino até 2024. Entre as metas: erradicar o analfabetismo e oferecer escolas em tempo integral em metade das unidades do país. Nos objetivos também constam a ampliação no número de vagas no ensino superior, incluindo pós-graduação, e a garantia de aprimoramento da formação, com aumento do salário dos professores.

A aprovação acontece em paralelo ao último “Indicadores do Desenvolvimento Brasileiro” (2001-2012), divulgado pelo Governo Federal. O documento relata a melhora da educação em diferentes aspectos. Destaca-se o crescimento da assiduidade à escola na faixa de 4 a 5 anos, de 55,0% em 2001 para 79,1% em 2012, e a universalização do ensino fundamental, com 98,3% das crianças de 6 a 14 anos acessando a aula. Além disso, o analfabetismo vem diminuindo progressivamente. Na população com 15 anos ou mais de idade, o índice diminuiu consideravelmente na última década, passando de 12,4% em 2001 para 8,5% em 2012.

Após essa chuva de dados e informações, algumas constatações precisam ser feitas, pois ainda há muito trabalho por fazer. O desnivelamento educacional no Brasil é histórico e, sem qualquer dificuldade, poderia ser zoneado em território urbano. O contraste é visto diariamente quando as melhores oportunidades são oferecidas aqueles que dispuseram de uma educação de base mais qualificada. Este é o ponto nevrálgico. Frequência e qualidade do ensino devem caminhar de mãos dadas. Conseguirá o governo cumprir as metas? O país merece e precisa disso.

Um país educado é um país consciente. Investir na base é afastar o degradante “jeitinho brasileiro”, pois a sabedoria torna as pessoas menos vulneráveis a pequenos atos de corrupção. Os discursos demagogos da política bateriam contra uma parede e só seriam eleitos representantes dignos, sempre sujeitos a interesses, é verdade, mas fiscalizados por novos setores emanantes do povo: gente com valores e opinião. A fiscalização seria diária, portanto, e a voz pública teria significativas inferências na política.

Educação é essencial, mas quando o sistema é incipiente, ocorre a separação das pessoas, surgem preconceitos e formam-se marginais cujo único sentido na vida é delinquir. Mais que isso, educar é dar oportunidades, incentivar a evolução de indivíduos não apenas inteligentes, mas também multiplicadores deste conhecimento. O Brasil nunca será rico enquanto não suprir esses gargalos do sistema, e é a sinergia do presente que colherá, nas próximas gerações, um povo sabedor de suas responsabilidades. Resta aguardar que discursos e estatísticas não fiquem no papel – e que boas condições de ensino se tornem comuns a todos.

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