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Copa de encher os olhos Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Junho de 2014 - 17:01

gas3O brasileiro não sabe do potencial que tem. Cheguei a essa decisiva opinião após avaliar tudo que foi dito antes da realização da Copa do Mundo. Palavras como “fracasso” e “desastre” davam o tom das previsões. Por enquanto, o pessimismo não se confirmou. À exceção da mudez do belíssimo hino da França, em Porto Alegre, o evento transcorre como planejado. Bom para o Rio Grande do Sul e para o Brasil.

Com ingresso na mão ou não, a festa está sendo realizada nas casas, nas ruas, no entorno do Beira-Rio. Os turistas encontraram um povo hospitaleiro, animado. Em inglês, conversei com uma francesa que disse o seguinte: “Aqui as pessoas são calorosas. Na Europa, elas são frias, fechadas”. E completou que, até então, nenhum problema adveio em sua estadia. Eu disse que o único problema foi sua seleção não ter arrematado mais gols no limitado time de Honduras. Ela riu e concordou.

Os franceses, aliás, foram um caso a parte. Tomaram o famoso Chalé da Praça XV para si, colorindo o Centro de Porto Alegre em azul, branco e vermelho. Valeu a representatividade de um povo apaixonado – algoz do Brasil em copas passadas. Aproveitando a viagem, não é incomum ver turistas visitarem os cartões-postais da capital, tirando inúmeras fotos e exibindo grande satisfação. É a imagem gaúcha reverberando no exterior. Nenhum outro evento proveria tamanha exposição.

A Copa proporciona também algumas cenas cômicas. Em frente ao Mercado Público, dois australianos acenavam para um táxi. Atendidos, tentaram adentrar o veículo. Tentaram, pois não contavam com intrépido problema: o tamanho de seus cangurus infláveis, um amarelo e outro azul. A solução que encontraram? Dois táxis, um para cada boneco, ou melhor, um para cada turista. Prático, mas não como o esperado. Os dois cangurus eram tão grandes que tiveram de ficar com a cabeça para fora, curtindo uma brisa metropolitana.

São os estrangeiros, aliás, que reúnem as principais projeções positivas para o Mundial. De acordo com o Ministério do Turismo, cerca de 3,7 milhões de turistas devem movimentar R$ 6,7 bilhões, mobilizando cerca de 200 mil trabalhadores temporários e acrescentando R$ 6,7 bilhões à economia do país. Enquanto o Brasil está em campo, 3,6 bilhões de expectadores, quase metade da população da Terra, acompanha pela TV, internet, celular e demais dispositivos eletrônicos o evento esportivo mais popular do planeta.

E o que o mundo está vendo é de encher os olhos. A competição está tecnicamente excepcional, com partidas dinâmicas, eletrizantes, e craques desempenhando sua fama. A média de gols na primeira rodada superou, de longe, os baixos registros da África do Sul, em 2010. Em apenas três dias e seis jogos disputados, 22 bolas na rede. No país africano, a taxa foi de apenas dez no mesmo número de partidas. Será que a ideia de “país de futebol” anda exercendo influência sobre habilidade dos atletas? Os resultados mostram pendor a essa tese.

Não apenas Porto Alegre; o país está dando um verdadeiro show. Fora do campo, muitas atividades colorem as cidades-sede de verde e amarelo. Um evento desta magnitude abre precedente, aumenta a autoestima do cidadão. E não entro aqui nos estigmas dos protestos; o povo está alegre, foi o que pude observar. Continuará assim após o Mundial? Bem, o futuro começa daqui para frente. O Brasil vencendo já será um grande alento e um título inesquecível que apagará, de vez, os fantasmas da Copa de 50. Só resta torcer e aguardar. Vai, seleção!

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