banner multi
Capa Memória Colunistas Cronicando Imortalizem o Caminho do Gol
Imortalizem o Caminho do Gol Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 27 de Junho de 2014 - 10:30

cam651Encaminhando-se o final da Copa em Porto Alegre, já é hora de medir os dividendos que o grande evento esportivo deixará por aqui. Além da autoestima renovada no coração do povo gaúcho, o mundial fez o cidadão redescobrir sua própria capital e todo o potencial turístico que dela emana. Refiro-me, especialmente, ao Caminho do Gol, que afastou o histriônico movimento de veículos e permitiu aos pedestres aproveitarem a cidade como nunca antes.

Durante os jogos do mundial, parte da Avenida Borges de Medeiros foi fechada, começando pelo Centro Histórico e indo em direção ao estádio Beira-Rio – com 3,5 quilômetros de extensão. Eu tive a oportunidade de participar do jogo Argélia x Coreia, vencido pelo time africano. O caminho de ida, entretanto, foi mais relevante, inclusive, que a própria partida. Com a Borges cerrada, pude observar atentamente os detalhes do Centro, sempre tão atribulado pela coexistência de pessoas apressadas e veículos, muitos veículos.

O barulho infernal dos motores foi substituído pelo arrulho de pássaros. Em vez de buzinas e gritaria, conversa entre indivíduos que se conheceram no local e que interagiram em função do grande evento. O Caminho do Gol mostrou que o conteúdo de Porto Alegre é eclético e não vive apenas da Orla do Guaíba. Quadras antes, o Viaduto Otávio Rocha surge como um templo representativo da história da cidade. No local aparecem também os detalhes de uma série de lojas radicadas na região, algumas há décadas operantes por ali.

Nos quatro dias de jogos na capital, até o momento, o trajeto ofereceu atrações culturais, instalações consulares, alimentação e atendimentos em saúde, segurança e informações turísticas. O Caminho do Gol foi um centro de peregrinação das torcidas estrangeiras que vieram a Porto Alegre para conferir os jogos de suas seleções. Um mar de holandeses, franceses e argentinos coloriu a Avenida, espargindo fotos marcantes para o mundo inteiro ver.

A bem da verdade, quando se fala em legado da Copa, o poder público sempre reporta os benefícios econômicos e materiais que o grande evento deixará em Porto Alegre. A arrecadação, em alguns setores, pode chegar à casa dos bilhões, o que reforçará o desenvolvimento nos próximos anos e colocará o Rio Grande do Sul na rota dos estrangeiros para futuros investimentos. A herança maior, contudo, está nas pessoas que aqui estão e que, com a Copa, redescobriram a capital, observando seus detalhes arquitetônicos mais a fundo e dispondo de visões privilegiadas que o dia a dia torna impossível.

O legado da Copa não está, exclusivamente, em uma terra distante onde as memórias dos estrangeiros farão bom juízo sobre Porto Alegre. Está também em renovar a cidade para as pessoas que aqui vivem. Manter o Caminho do Gol é dar uma chance ao povo desfrutar melhor de seus espaços públicos, conhecendo com mais interesse aspectos da cidade.

Não sei em que condições, se semanalmente (aos domingos, se vale a sugestão) ou mensalmente, mas essa oportunidade de fechamento da Borges, propiciada pela Copa, não pode passar em vão. A peregrinação de torcidas seria substituída pela peregrinação porto-alegrense, aperfeiçoando o compasso entre cidadão e cidade. Imortalizem o Caminho do Gol, pelo bem da capital!

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA