Copa dos chatos Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 01 de Julho de 2014 - 14:50

bei11Eis o fracasso esperado. A Copa 2014 jamais poderia ter acontecido no Brasil. Talvez em algum país europeu, pois a referência além-mar é sempre positiva, impermeável a problemas. A Síndrome Tupiniquim do Coitadismo se perpetuou em cada jogo do Mundial, em cada ingresso vendido para a celebração da festa. Note que a adesão é baixa, afinal, as médias de público são pequenas, bem como os gols dentro do campo.

Esta é uma Copa de violência excessiva. Dizem que Luis Suárez assistiu a um filme de vampiros na véspera do jogo contra a Itália. Resultado: mordeu o zagueiro adversário, em um impulso de raiva. A culpa também é dos brasileiros. Deve ser algo que preenche a atmosfera do país, mas aqui homens se transformam em bestas. Animais selvagens sentam em nossas mesas. Também convivemos bem com onças tentando devorar nossas crianças.

Fora do campo, o movimento “quebradeira” perdeu a aderência. Black Blocks, Bloco de Lutas, voltemos a lutar contra o McDonald´s usando tênis Nike! Soube que as lojas do Centro de Porto Alegre já repuseram todos os vidros estilhaçados, estoques roubados e gradis violados. É a hora da retomada dos protestos violentos; somente assim para chamar a atenção das autoridades. A democracia é o tipo de regime que impede manifestações públicas, e pacíficas, contra a Copa. Em 2007, impediu… OPA!

As partidas estão apenas razoáveis. É fácil demais fazer gol! Onde estão os embates difíceis, engessados; aqueles maravilhosos espetáculos que não saem do 0 x 0? Craques deixando a desejar e a ascensão de jogadores menos expressivos como alternativa ao baixo nível técnico. Saudade das copas “quebra tudo na defesa e vamos para os gols de cabeça”. Isso sim é sangue na grama. Isso sim é futebol de verdade.

Essa copinha bem jogada aí? Torneio populista. Circo mundano de paz que esconde as fragilidades dos times. Um discreto lance plástico já causa alvoroço nas multidões. O gol é apenas um detalhe, portanto não se surpreenda se saírem quatro, cinco ou seis em apenas uma partida. Bom é ver o jogo concentrado no meio-campo. Barreiras instransponíveis de zagueiros e volantes espanando tudo para frente: bola, grama e perna do oponente.

As seleções estão reunidas em solo nacional para jogar amistosos de luxo. O único fator que tem cheiro de Copa é o preço dos ingressos. Salgadinho, para não dizer Chrigor. O Brasil não tem condições de sediar competições internacionais! Olha o tamanho do vexame: segurança por todos os lados, suporte elogiável da gama hoteleira e a interação incomparável com pessoas de outras culturas. Como manter a fama de desordeiro e corrupto quando o país está, inegavelmente, fazendo um bom trabalho? Há uma reputação a zelar!

Mas a felicidade não dura. A Copa termina e os poucos legados acumulados serão esquecidos em breve, substituídos pelas críticas pós-evento. É democrático demonstrar insatisfação; preferencialmente tripudiando o verde e amarelo, ainda mais se o Brasil não conquistar a Copa dentro do campo. Fora dele, já perdeu.

É inequívoco afirmar que a abertura internacional do país para grandes eventos criará máculas não cicatrizáveis. E tais máculas nunca serão mais profundas que aquelas incutidas no coração deste povo sofredor, que não se dá a chance de acreditar minimamente no “brado retumbante”. Vai, Holanda!

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA