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O grito do líder Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 07 de Julho de 2014 - 16:58

david“Debaixo dos caracóis, dos seus cabelos”. Categoricamente, a música composta por Roberto e Erasmo não foi inspirada no zagueiro David Luiz, da seleção brasileira. O conteúdo capilar do jogador está mais para samambaia oxigenada ou cabo de vassoura, o que daria vazão a um funk viral, dos bens sujos. Mas este não é um comentário sobre estética. Daquele emaranhado de fios parece emanar a força de David, o grande destaque do esquete canarinho na Copa do Mundo de 2014.

Cada lance do zagueiro levanta a moral do time e dá esperança para que hexa chegue neste ano. Mas afinal, como explicar os critérios que erigem um ídolo das massas? Talvez grandes, esvoaçantes e suados cabelos. Quem sabe a dedicação em campo, sempre contagiando expectadores por meio de seus gritos nacionalistas. Felipão não sabe, mas convocou um jogador que exprime diferentes representatividades.

Elétrico por natureza, não há lance perdido. Atacantes tremem as bases, esquecem os dribles, pedem ajuda à vovozinha para não serem desarmados pelo zagueiro. O respeito que ele impõe aos adversários não passa despercebido pela torcida, que vê no jogador um símbolo da garra brasileira. O povo se reflete nele e ele se reflete no povo. Trata-se de um vencedor tupiniquim, cuja qualidade futebolística gerou inúmeras conquistas.

David Luiz grita e o time joga. Seu eco gutural é ouvido pela eternidade e, com força dos deuses do futebol, vai deslanchar no levantamento da taça, ao lado de seu companheiro Thiago Silva. A braçadeira de capitão pode não estar com ele, mas o líder não é aquele indivíduo nomeado. O líder se manifesta naturalmente, com seu temperamento epidérmico, comparável às incontroláveis forças da natureza. Um líder não pode ser controlado. Um líder lidera.

Se defender fosse ofício intransigente, a seleção estaria em maus lençóis. Não bastasse a sisudez com que protege a área de Júlio César, David se arrisca no ataque, aproveitando-se de sua invejável altura. Mais que isso, sua perna direita dá um chute anti-gravitacional, no qual o lado do pé consegue alterar a trajetória da bola, criando um efeito de impossível previsão a qualquer goleiro do planeta. Foi assim contra a Colômbia na vitória por 2 x 1 conquistada pelo Brasil.

Encaminhando-se o final da Copa, o quadrangular da semifinal exibe majestosas seleções, agraciadas por um passado glorioso de conquistas. Perder é do jogo, ainda mais em uma época onde o futebol se tornou profissionalmente competitivo. Mas a torcida brasileira tem um motivo a mais para acreditar. Em campo, os fios na cabeça de David Luiz se tornam milhões, representando cada foco de energia positiva espargida pelos diferentes cantos do país. #somostodosfios!

O título seria um reforço ao orgulho nacional, à reconstituição de uma nação dividida pelas desigualdades. Se não vier, já há motivos mais que suficientes para alimentar a satisfação brasileira. A Copa é um detalhe inserido em uma plataforma muito maior, que recebeu estrangeiros com simpatia e acolhimento.

Dentro do campo, contudo, dane-se a hospitalidade. É sangue na grama e taça na mão! Contamos com você, seleção. Contamos com você, David Luiz!

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