Mineiraço Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 09 de Julho de 2014 - 10:06

16681174Desta vez, não foi um Maracanaço. Foi um Mineiraço. Mas não por apenas um gol de diferença. Avisaram Felipão: algumas peças, simplesmente, não funcionavam no esquema escolhido. A paixão e a emoção, entretanto, após vitórias suadas e difíceis contra Chile e Colômbia, cegaram a torcida e ensinaram que dedicação e raça, apenas, não vencem uma Copa do Mundo. Faltou esquema tático e essa lição foi digerida da forma mais difícil possível.

A goleada ecoará por toda a eternidade futebolística. A Alemanha, saudoso adversário de 2002 – quando do pentacampeonato – pagou a divida de 12 anos com juros e correção monetária. A frieza do time europeu já impressionava em partidas anteriores, mas nem o mais temeroso pessimista poderia imaginar que, aos 30 minutos do primeiro tempo, o placar de 5 a 0 sepultaria a ambição brasileira pelo hexa. Logo cedo, o sentimento da torcida era de vergonha e incredulidade. O sonho não poderia ter terminado dessa forma.

Um grande apagão empilhou balaços nas redes de Júlio César. A metralhadora alemã restou inapelável à defesa brasileira que, desorganizada, aceitou a superioridade adversária, observando os portentosos lances rivais com o olhar de aprendiz. A seleção canarinho, que um dia ensinou como jogar um futebol bonito, vistoso, se rendeu. E rendida, fez lágrimas brotarem do olhar de cada esperançoso cidadão.

Fred apresentou-se como uma peça nula. Oscar, um meia habilidoso, foi fincado como volante em um esquema de três atacantes que pouco produziram no jogo e na Copa. Neymar, por incrível que pareça, não fez falta, pois não atua sozinho. Se em campo estivesse, nada poderia inventar contra a supremacia adversária. Além disso, a desestabilidade emocional pesou em favor da causa alemã. No íntimo, a sequência inacreditável de gols sofridos demoliu qualquer possibilidade de reação.

Uma mácula histórica para o “país do futebol”. Valeu o esforço, mas faltou qualidade. Faltou entrar em campo o excelente time da Copa das Confederações do ano passado. O Brasil deixou de ser Brasil – reside aí a decepção maior. A derrota aconteceu com naturalidade assustadora, mostrando que é preciso revisar o modo pelo qual o esporte está sendo conduzido em solo tupiniquim. Em vez de mídia excessiva e superexploração da imagem dos jogadores, mais futebol, por favor.

Fora de campo, entretanto, a vitória aconteceu também por goleada. Mas esta foi brasileira. A conquista do povo sobrepujou o fiasco superfaturado de gols tomados na semifinal. Levantou-se a taça da hospitalidade, da simpatia, do acolhimento. A derrota da seleção permanecerá para sempre, bem como o excelente trabalho realizado pelo país. Valeu pela festa e pela integração com outros povos. O Brasil se tornou a capital mundial da diversidade, em um festival de cores e culturas que se misturaram – pacificamente.

A Alemanha venceu, pois construiu seu time ao longo das últimas copas, inserindo peças e mesclando experiência e juventude. Combinação esta que dá certo. Para o Brasil, agora será necessário recomeçar, juntar os cacos e forjar uma nova geração que resgatará o futebol alegre, moleque. Depois da tempestade, a bonança. E pior do que está não pode ficar. Em quatro anos, é possível confeccionar, novamente, um time competitivo, que resgatará o orgulho nacional. Orgulho este ferido. Meu país, parabéns pela festa e pela organização, mas não pelo futebol.

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