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Lisura das urnas Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 04 de Agosto de 2014 - 14:29

urna-eletronica-maoO furtivo ataque da Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês) norte-americana às cadeias de dados do Brasil – e de outros países “amigos” – levantou um questionamento amedrontador: se forças externas conseguem subjugar os sistemas de tecnologia e informação do governo tão facilmente, monitorando, inclusive, o relacionamento da atual presidente com seus assessores, onde haverá segurança de rede? Estarão as eleições imunes a qualquer tipo de fraude?

Com a proximidade do pleito deste ano, em outubro vindouro, esta indagação gera temores em cada eleitor consciente. Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negue qualquer possibilidade de manipulação, estudiosos da área alertam, constantemente, os perigos da confiança nas urnas nos atuais moldes. Em entrevista ao jornal “O Globo”, o professor de computação Diego Aranha, atualmente na Unicamp, disse: “Eu aguardava ansiosamente os testes de 2014 para verificar pelo menos se os problemas de segurança que descobrimos (em 2012) haviam sido corrigidos”.

Em 2012, segundo o periódico, Diego e três técnicos da Universidade de Brasília (UnB) se cadastraram no TSE para participar de um teste público das urnas e, conforme contam, conseguiram provar a vulnerabilidade delas sem precisar abri-las. Entre as principais falhas, estaria a proteção ineficiente do sigilo do voto, que permitiria saber em qual candidato determinado eleitor votou; o uso de apenas uma única chave para codificar as mídias de todas as urnas do país; e a aplicação de algoritmos ultrapassados, cujo uso para segurança em computação já não é recomendável. “Resumindo: achamos um erro banal do sistema”, afirmou Aranha.

“Erro banal” que pode trazer graves consequências à realidade brasileira. O TSE, no entanto assume posição defensiva-negativa ao vedar, neste ano, amostras públicas que atestem a inviolabilidade das urnas, aumentando a insegurança das massas. Não se trata de uma atitude transparente. Concomitantemente, não há restrição para verificações internas, feitas por técnicos do Tribunal. Eis que a suspeição emerge. Ponderando a importância do processo eleitoral, possíveis falhas de sistema deveriam ser investigadas à exaustão, e por segmentos diferentes, caso contrário, um hacker qualquer poderia acessar livremente informações resguardadas pelo sigilo do voto. E ocorrências de corrupção no Brasil provam que há indivíduos inescrupulosos ao ponto de financiar atos desta magnitude.

As urnas eletrônicas são aparatos excepcionais. Elas mecanizaram as etapas, facilitando a vida do cidadão e aperfeiçoando o processo. Acima de sua agilidade, todavia, está garantir que os dados ali registrados permanecerão imaculados até a contagem oficial. Existindo a mínima dúvida, as eleições perdem integridade, ficando à mercê de interesses escusos. Invariavelmente, a inviolabilidade do voto é um direito inalienável, sem o qual a democracia perderia sentido.

Eleição se decide por votos, valiosos e secretos. Sem “boca de urna” e, muito menos, maquinações nos índices do pleito. A transparência é condição imperativa ao voto obrigatório; de outro modo, não haveria necessidade para tal prerrogativa constitucional. Ao TSE cabe uma reflexão, talvez uma inflexão. É salutar criar a dúvida sobre o dedo que paira nas teclas? Não! A lisura é pré-requisito para que o processo eleitoral seja justo e igual. Portanto, vote direito, torcendo pela credibilidade das urnas. Se o país não dá garantia de segurança, a fé no sistema é o único caminho que nos resta.

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