banner multi
Capa Memória Colunistas Cronicando Chumbo grosso na eleição
Chumbo grosso na eleição Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Domingo, 19 de Outubro de 2014 - 15:14

dilma-aécioO povo brasileiro está cansado. Cansado de falsas promessas; cansado do clima de incertezas que ronda a eleição de 2014; cansado de observar seus dois presidenciáveis alçados ao segundo turno transformarem a campanha em um jogo nefasto de projéteis verbais. É bombardeio de todos os lados, em todas as áreas. Por mais que se fale em respeito e cordialidade, o tom das acusações ultrapassou, e muito, o limite do bom-senso. Ruim para o Brasil, ruim para a nossa tão batalhada democracia, que poderia ser homenageada por intermédio de discussões mais propositivas.

A liberdade pressupõe a convergência e divergência de opiniões. É lícito e legítimo rezar em cartilhas opostas. Mas daí surge o aspecto humano, que a eleição não pondera. Os telespectadores dos últimos debates na televisão – Bandeirantes e SBT – tiveram sensações semelhantes: queremos um governo da união ou da discórdia violenta? Lembrando que o confronto pelo Planalto gera faíscas que vão além do ambiente controlado dos estúdios das emissoras. O atrito está atingindo a honra e a integridade de dois importantes personagens do cenário político brasileiro.

Dilma é a presidente da República, ungida pelo voto popular. De Aécio, ela merece o mais profundo respeito, pelo cargo que ocupa e por sua trajetória vitoriosa. O mesmo vale ao tucano. Entretanto, não é isso que permeia a reta final de campanha. A altercação na mídia não está esgotando apenas a intensidade dos presidenciáveis – Dilma sofreu queda de pressão após o debate no SBT – mas também a paciência do eleitor.

Um cidadão precisa ser crítico e ter pensamento crítico. Mas a crítica como condição intelectual, não como veiculação escrachada, tal qual fazem os presidenciáveis quando buscam ralhar a imagem de seu adversário. Sem entrar em números, Dilma teve um governo de conquistas e quedas. Aécio, se eleito, fará o mesmo. Ninguém é tão desprezível como pinta o rival. E ninguém chega ao topo sozinho.

Invariavelmente, os debates do segundo turno trouxeram à tona os mesmos temas de sempre. Dilma foi novamente acusada de “falta de comando” e de ser permissiva com a corrupção. Aécio utilizou-se do recente escândalo da Petrobrás como maior exemplo disso. O tucano, por sua vez, teve outros assuntos para esclarecer. Segundo a atual presidente, o PSDB quebrou o Brasil três vezes, além de supostamente ter governado durante oito anos para os ricos, ignorando as classes mais vulneráveis da população.

A corrida eleitoral virou, às claras, uma corrida eleitoreira. Um vale-tudo de terninho e no limite dos palanques. Qualquer estratégia torna-se válida para manter ou assumir a presidência. O embate de propostas fica encoberto frente aos choques de animosidade ideológica. Isso não é justo para com o eleitorado. Isso afeta a ética política e a humanidade de cada um.

O resultado das eleições de 2014, independentemente de qual candidato saia vitorioso, já ganhou máculas históricas, como nunca se viram no país: a animosidade, os sofismas e as condutas beligerantes. Afinal, a disputa é do poder pelo poder ou o que está em jogo são projetos que deem esperança às pessoas? O Brasil é muito maior do que as discordâncias de dois partidos. Lembre-se disso.

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA