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Polarização nas redes sociais Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Domingo, 26 de Outubro de 2014 - 13:16

redes-sociaisA polarização presidencial brasileira tratou de influenciar as redes sociais. Com isso, ganhou velocidade e repercussão históricas, transformando esta eleição na maior de todos os tempos. Diariamente, adeptos de petistas e tucanos travam uma guerra-verbal-digital que oscila entre falácias eleitoreiras e informações que acompanham e complementam os debates na televisão. Esse tiroteio afetou milhares de “amizades”.

Em primeiro lugar, defender uma ideologia ao ponto de acabar com a paciência de um colega internauta exige muito esforço e engajamento. O usuário que assim atua cria raiz no universo dos computadores, o que não deixa de ser uma atitude covarde – e, por vezes, criminosa. Atrás de um monitor, tudo é possível hoje em dia. É verdade também que a eloquência lá demonstrada pelo público-utilizador, em inúmeros casos, não se confirma na vida real. Uma despessoalização que funciona como combustível farsesco da sagacidade, portanto.

A ferocidade tem surpreendido. A imprensa brasileira noticia o azedamento de “relações” online em razão de certos posicionamentos políticos revelados. Recuso-me, de pronto, a chamar de relacionamento – assim, sem aspas – este conjunto de interações na internet. Relacionar-se, em minha concepção, é um ato de pessoalidade pelo qual dois semelhantes coadunam seus interesses. O que vai além disso, mesmo que recursado por diferentes meios de imagem e vídeo, espelha a tenuidade de uma “conexão”.

Considero, sinceramente, extremamente exaustivo e contraprodutivo digitalizar continuamente opiniões políticas que poderiam ser verbalizadas ou escritas de forma mais duradoura – um editorial, por exemplo. Mas, na web, a eternidade é o limite, e se as pessoas estão dispostas a ficar horas a fio teclando milhares de caracteres que ficarão perdidos nos confins da internet, torço que isso não influencie suas amizades no mundo real. Torço também que não se crie uma dolorida lesão por esforço repetitivo.

Cada vez mais me convenço que o excesso de informação causa desinformação. Esta aí um dos perigos da internet, onde os compartilhamentos reverberam todo tipo de conteúdo duvidoso ou manipulado. Todavia, quem fomentou essa briga foram as propagandas tendenciosas dos partidos, que brincam com o temperamento das pessoas. Em 2014, ficou provado: esse tipo de rixa eleitoral nada acrescenta. Que os erros de hoje sirvam de aprendizado para os próximos pleitos. O Brasil merecia mais que isso.

 


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