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Turbulência no governo Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 02 de Fevereiro de 2015 - 11:08
foto fernando bizerra jr efeO PT é um partido histórico no Brasil. Liderou grandes lutas, amealhou milhões de militantes em favor das causas trabalhistas. Quando chegou ao poder em nível nacional, construiu sólidos programas sociais em favor dos menos favorecidos, garantindo condições dignas a quem antes vivia em situação de extrema vulnerabilidade. Essa é a faceta positiva das gestões de Dilma e Lula. Sempre há outras visões a respeito, diametralmente opostas. Internamente no partido, contudo, existe uma certeza: os “companheiros” vivem um período de turbulência.
 
Marta Suplicy deixou claro, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, que está decepcionada com os rumos do partido que ajudou a construir. Sem papas na língua, e disparando palavras incendiárias, a senadora demonstrou sua inconformidade com as diretrizes do atual do governo, dando a entender que Dilma exerce certo grau de autoritarismo quando o assunto é delegar funções – e confiar nas pessoas que foram delegadas. Seria o caso do novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, na visão de Marta, não vai ter independência para trabalhar.
 
Lembrando que a petista, licenciada, ocupou o cargo de ministra da Cultura (2012 – 2014), pedindo sua demissão em novembro do ano passado. Para 2018, a senadora declarou resolutamente que Aloizio Mercadante, atual ministro-chefe da Casa Civil, deve ser o candidato. Marta chamou-o de o “inimigo”, alguém que costura seus objetivos inescrupulosamente – inclusive para suplantar Lula como possível presidenciável.
 
Segundo ela, “ou o PT muda ou acaba” e sustenta esse entendimento informando que se sente alijada e cerceada das decisões estratégicas. A campanha interna já começou, portanto. Especula-se que o partido manterá, à Prefeitura de São Paulo em 2016, o advogado Fernando Haddad, atual prefeito da cidade. Estava nas pretensões de Marta concorrer ao cargo. É de se suspeitar que agora não concorrerá de jeito algum, salvo se deixar o PT. Por todo o país, colegas de militância condenaram a atitude da “companheira”, apontando que havia outras formas de resolver sua insatisfação.
 
Do outro lado da moeda, o todo-poderoso PMDB, do vice-presidente Michel temer, já começa a se movimentar pensando em 2018. A sigla, atenta ao que acontece no Planalto, especula o lançamento de um presidenciável – algo que não faz desde 1994, quando Orestes Quércia concorreu. Temer sabe que o trabalho será árduo, especialmente na contenção das rusgas que acometeram as fundações da bancada federal. Em 2014, a presidência da sigla apoiou Dilma. Inúmeros parlamentares, contudo, fizeram sua opção por Aécio.
 
O poder é um conceito metafísico, enigmático. Há quem o despreze, há quem faça tudo por ele. Grupos extremistas inclusive matam para conquistá-lo. Fato é que a história da civilização confirma: a união por um ideal logo se dissipa, pois os vitoriosos começam a criar seus próprios interesses e fomentar suas próprias intenções. A separação é inevitável. É o que acontece com o PT e, por extensão, às forças de coalizão. Marta Suplicy optou por condenar atos de correligionários utilizando-se da imprensa. Acabou atiçando a ira de indivíduos que nem envolvidos estavam na situação. A decisão foi sábia? Tendo em vista os ânimos acirrados, essa rixa pública não deve se encerrar por aqui.
 
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