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Para nunca esquecer Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 02 de Fevereiro de 2015 - 12:16

xeeveqOs olhinhos ainda não estão abertos, mas outros tantos olhares observam com atenção aquela criaturinha que dorme faceiramente nos braços de uma doce e apaixonada mãe. O pai, orgulhoso como jamais estivera, quase vai às lágrimas quando descobre que o fruto de sua descendência veio ao mundo com a saúde de um leão. A parti dali, seriam uma feliz família, imanente, intrinsecamente ligados por um elo sentido, mas não visto; inabalável e afetuoso.

Nos primeiros anos, nos primeiros passos, com dificuldade, eles estavam lá por você. Quando você caiu pela primeira vez ao tentar caminhar, eles lhe seguraram para que nenhum mal lhe sobreviesse. Com um sorriso, apoiaram sua iniciativa e lhe amaram dentro de um sentimento tão puro que nenhum outro homem ou mulher na terra poderia reproduzir. Entre tenros carinhos, nada pode conspurcar a beleza de ver o crescimento de uma criança. Nada.

Ao desabrochar dos anos, você ficou rebelde, querendo descobrir o mundo. Teve sua primeira briga na escola; aquela gatinha da frente não lhe dava bola, apesar de achá-la muito bonita. Seus pais viveram todas essas situações com você. O que muitos não sabem, entretanto, é que eles têm um inato poder de ler mentes. Especificamente, a sua. Se não falar, eles saberão. Eles saberão que há algo errado ou que há algo certo que não deve ser contado. Você, com seus sinais, não pode fugir ao olhar deles, mesmo que seja um bebê de colo ou um adulto formado.

Ensimesmados para torná-los pessoas de bem, cada saída de casa, longe de seu castelo de proteção, é uma agonia. Cada caminhada no parque vira uma tortura; intensa, interna. A tensão de não saber a resposta para a pergunta: será que verei meu filho de novo? Você não sente. Vive sua plenitude. Mas eles sim, sentem demais. Eles sentem, pois o futuro é uma constante oscilação e, de vez em quando, acidentes silenciam o mundo.

Quando pais perdem filhos, não há remédio para a dor. É uma aberração da ordem natural. A vida que se foi leva uma parte deles. Fragmento que não retornará. Após longos anos cuidando, amando, a criança vai a uma festa qualquer, supostamente segura, e se envolve na maior tragédia que o Rio Grande do Sul já presenciou. Jovens universitários que tinham os mais sonhadores planos e uma trajetória inteira pela frente. Corrompidos pela morte. Boate Kiss, 27 de janeiro de 2013: nós nunca vamos esquecer.

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