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Já é Natal na Assembleia Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 10 de Fevereiro de 2015 - 21:04

07122401 blog uncovering org santa claus sundblomO Natal não vê crise econômica, pelo menos não para a nata política da sociedade, isto é, as pessoas que ocupam as esferas de poder. A prova disso é que nossos deputados estaduais decidiram inovar: incorporaram a alma do “bom velhinho” e passaram a distribuir presentes neste mês de dezembro. Antes do final do ano, será votado mais um projeto de lei cujos únicos interessados são os mandatários eleitos: o reajuste dos salários do Executivo e do Legislativo.

O texto aumenta para R$ 26.939,29 o subsídio mensal do governador e dos próprios deputados. E para R$ 20.204,46 o subsídio mensal do vice-governador e dos secretários de Estado. Atualmente, o salário mensal do governador é de R$ 17.347,14, sendo que o vice e os secretários recebem R$ 11.564,76. Os Parlamentares, por sua vez, ganham R$ 20.042,34. Mesmo antes da apreciação, uma frondosa ceia natalina está garantida, como se vê.

Os acréscimos suplantam a inflação dos respectivos períodos onde não houve reajuste, com variações entre as diferentes funções. Assim sendo, a preocupante turbulência financeira que passa o Estado do Rio Grande do Sul parece não estar afetando nossos parlamentares. Lembrando que, há algumas semanas, os ilustres ratificaram projeto de lei complementar que disciplina suas aposentadorias. O texto prevê que deputados estaduais com 35 anos de mandato e 60 anos de idade podem se aposentar com o salário integral. Não atendendo ao parâmetro, ganharão valores proporcionais enquanto inativos.

Se os campos da política fossem férteis em empenho, honestidade e, especialmente, assiduidade, talvez as pessoas avaliassem de forma diferente as últimas decisões da Assembleia. Não é o caso. E não é a primeira, e nem a última vez, que a aprovação de leis visando o interesse da classe política – unicamente – entra na pauta. A indignação da opinião pública, contudo, bate na couraça do Legislativo.

Diferentemente da aposentadoria especial, o reajuste é um direito de todo cidadão, político ou não. Entretanto, não há equidade para com outras classes. A si, os deputados são rápidos e eficazes em revisar salários (acima da inflação); ao funcionalismo público, precisam de uma hecatombe para fazer concessões. E muitas vezes a luta é inglória. No Brasil, esperar uma sociedade mais justa constitui uma abstração das mais irônicas. Sem o exemplo de quem detém o poder, como imaginar um futuro diferente? O sistema parece incapaz de se reciclar.

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