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Escrito por Gabriel Guidotti   
Terça, 10 de Fevereiro de 2015 - 21:18

img 1896Qualificação do ensino superior: uma bandeira nacional para que acadêmicos não deixem a desejar no mercado de trabalho. Aliás, o fato de concluírem seus respectivos cursos deveria ratificar a condição dos estudantes em desempenhar satisfatoriamente suas áreas de expertise, num modelo amplo de produção do conhecimento. Os testes sobre essas competências, contudo, são incipientes. Explicitam uma fração da educação, não a graduação como um todo.

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é um termômetro razoável, apenas isso. Uma prova aplicada periodicamente, para ingressantes ou concluintes, que engloba conteúdos programáticos das mais diferentes ciências. Na edição de 2014, participaram alunos de 33 cursos superiores nas áreas das exatas, licenciaturas, entre outras. Trata-se de componente curricular obrigatório, conforme determina a Lei nº 10.861.

O Enade é usado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional (Inep) – vinculado ao Ministério da Educação – para compor índices que medem a qualidade de cursos e instituições de ensino superior. A partir dos resultados aferidos, o Instituto encontra subsídios para projetar a melhoria do ensino. Lembrando que, no histórico escolar do graduando, fica inscrita somente a situação regular em relação a essa obrigação, comprovada por sua efetiva participação ou, quando for o caso, por motivos de dispensa oficial.

Em relação ao ensino superior, há duas querelas que dificultam o processo educacional. A primeira é o método dos professores. Há docentes que ainda demoram a entender o que é esta é geração Y, a geração da internet. O alunato não consiste mais em uma audiência passiva, que aguarda o mestre expor seus conhecimentos no quadro negro. São indivíduos inquietos por natureza, impermeáveis a conteúdos monótonos. A abordagem das antigas escolas, nos moldes aula-palestra, portanto, não mais encontra receptividade. É preciso investir na interatividade.

Justiça seja feita: a culpa não é exclusiva dos professores. Os mestres são um contra dezenas estudantes que se fartam de grande poder propiciado pelas novas tecnologias. E as universidades também não ajudam – mais cobram do que auxiliam. Entramos no segundo ponto: o aluno de hoje é crítico inúmeras vezes sem razão. Muitos acham que o fato de ser aprovado no vestibular vai delegar sua formação ao curso escolhido, sem a necessidade de qualquer esforço. A arrogância sobre o dever das instituições de ensino os afasta da realidade. Fora do ambiente acadêmico, não fazem estágios, não buscam os livros das disciplinas, não aperfeiçoam suas técnicas. E depois reclamam da graduação, imputando a ela erros que são seus.

A nota do Enade representa um fragmento do que discentes aprendem na universidade. Ela revela o empenho individual do estudante, não o contexto de turmas inteiras. Para avaliar sem margem de dúvidas, equipes do Ministério da Educação deveriam fiscalizar as instituições de ensino dentro de suas particularidades – com o rigor necessário. E por critérios técnico-pedagógicos, não exclusivamente teóricos. Métodos de aula, por exemplo, não entram na esfera da avaliação da prova. Entra apenas a presunção de que, obtidos resultados ruins, tais métodos não são satisfatórios. Essa é a realidade.

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


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