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Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:09

petrobrassangueOs crimes na Petrobras chegaram à casa dos bilhões. Transformaram o Mensalão no irmão mais novo, por incrível que pareça. O caso acende uma indagação de ordem filosófica: há limite para a opulência da imoralidade nas relações humanas, especialmente no mundo dos negócios? O escândalo envolve grandes empreiteiras – multinacionais. Empresas que extraem capital de dezenas de países, em escala intercontinental. A elas, não há limite para o tamanho da ambição.

Os crimes da operação Lava Jato desnudam um prolífero mercado, onde pagar e exigir propina, comprar votos no Congresso e atuar como lobista entre os detentores do poder instituído faz parte do jogo. Nas galerias da persuasão, os jogadores mais desprezíveis sagram-se vencedores. E mesmo vindouramente condenados, a lei apresenta critérios para suavizar o cumprimento das penas. A maioria continua levando excelentes vidas, confortáveis como as massas jamais terão o prazer.

Por dinheiro e influência, algumas transgressões se tornaram praxe: é válido sobrepor os valores que regem nosso Estado Democrático de Direito; é possível, inclusive, ultrajar a liberdade alheia, que fica a mercê de atos escusos patrocinados pela alucinação ao poder. A condescendência com a corrupção causa a falência de nossas instituições públicas, que, a cada nova denúncia escancarada, perdem a confiança do contribuinte. Não conseguem fechar o cerco a ações abjetas de seus servidores.

Na política, facções rivais sobem no palanque quando deveriam se resignar a um dos maiores atentados econômicos que o Brasil já sofreu. Dilma Rousseff opinou que o desfecho do processo da estatal poderá “mudar o país para sempre”, sendo essa a principal finalidade da investigação, isto é, não torná-la “engavetável”. O comentário não teve outro condão além de atiçar os rivais tucanos. Por sua vez, Aécio Neves (PSDB-MG), presidenciável derrotado, afirmou que o governo atual insiste em dar “tratamento político a um caso que é de polícia”. E assim segue o terceiro turno das eleições.

Enquanto isso, o povo sangra seu desgosto, desamparadamente. A decisão judicial que apontará os pivôs do escândalo não passa de um antídoto incipiente, um veredito incapaz de reparar a ferida nacional. A cicatriz da Petrobras permanecerá eternamente no coração do brasileiro, como exemplo do potencial e da liberdade que os corruptores têm para delinquir. Está na hora de combater as causas, não as consequências.

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